O menino que queria saber

BA3A0884

Miguel era uma menino que queria saber muitas coisas. A impressão que ele tinha é que todo mundo sabia as respostas, mas nem sempre queriam responder suas perguntas. Seus pais, a professora, o gato, o passarinho… todos sabiam tudo, menos ele. Até que Miguel um dia ficou sabendo da Máquina-que-sabe-tudo e resolveu ir atrás dela, que parecia ser a única solução para os seus problemas.

Spoiler inofensivo número 1: nós não sabemos exatamente o que ele quer saber.

Spoiler inofensivo número 2: o caminho pra chegar até a Máquina é muito mais interessante do que todo o resto.

BA3A0887

BA3A0889

BA3A0891

Só pra variar, esse é um daqueles livros infantis que servem super bem pra nós adultos.

Quem nunca esteve com uma criança que faz perguntas sobre tudo o tempo todo? E quem nunca cresceu e continua com vontade de fazer perguntas mas só que agora tem vergonha? Pra essa pergunta posso responder: euzinha.

Esse livro, então, me fez pensar em duas coisas.

A primeira é algo que eu já falei aqui no blog nesse outro post sobre como parece que com o tempo vamos perdendo essa curiosidade inocente pelas coisas do mundo. Seja por falta de tempo, de paciência, de interesse…

A segunda coisa é que, por causa disso, acho que acabamos querendo as respostas rápido demais e talvez mastigadas demais porque, novamente, isso poupa tempo, paciência e interesse por algo que talvez não interesse tanto naquela hora. E aí, vira um ciclo. Não é fácil colocar na cabeça que o processo e as experiências do meio do caminho são mais importantes do que o resultado das coisas.

Mas Miguel é um menino que não tem medo de perguntar e que não tem medo de ir atrás das respostas e se aventurar nesses caminhos de insegurança. Quando ele ficou sabendo da existência da Máquina, descobriu que ela ficava na cidade grande. Só que pra chegar até lá, ele teria que atravessar toda a floresta, habitada por feiticeiras, monstros e animais ferozes.

Bom, atravessar a floresta não ia ser tão fácil assim.

O menino sentou-se numa pedra à beira do caminho para resolver desistir de tudo e voltar para casa sem saber, ou continuar e enfrentar os perigos para encontrar a tal máquina.”

E aí, vocês se arriscariam?

BA3A0899

BA3A0900

BA3A0886

Bom, pra quem ainda não sabe, esse post é resultado da parceria do blog com as Editoras Biruta e Gaivota, que são dedicadas à literatura infantil e juvenil, além de terem publicações sobre educação voltada pra professores. Quem me acompanha por aqui, já sabe que eu rodeio essas áreas há muito tempo e fico feliz de ser parceira de uma editora que trabalha exclusivamente com esse público.

Os livros são só amor e fiquei perdidinha pra escolher qual eu queria! Mas só pela sinopse, eu já senti que esse teria muito a ver com várias questões que já discuti por aqui. E estava certa.

O Menino que queria saber foi escrito por Marion Villas Boas, com ilustrações de Marta Strauch, e lançado em 2011 pela Biruta. No link do site tem como vocês verem o livro por dentro! Passem por lá!

Pra não esquecer

É engraçado como às vezes a gente precisa do empurrão de alguém pra perceber certas coisas. Ou quem sabe um beliscão? A questão é que na maioria das vezes a pessoa nem percebe que causou esse efeito em você, mas causou e desencadeou um monte de outras coisas.

Aí você pergunta por que, Carol, você tá falando isso? Porque ontem o carteiro tocou aqui em casa, fui até lá e era um pacote da Isa (inclusive, visitem o blog dela!). Ela me mandou esses três livros da foto e disse que era pra gente nunca esquecer nossas paixões.

livrosdaisa

Depois disso, comecei a ler um dos livros e pensar no que ela falou e me lembrar desse post que escrevi no ano passado. E eu ando tão preguiçosa, sem concentração pra ler e pra escrever, desanimada até pra ver filme. Então falei O QUE? Eu sei que temos altos e baixos, mas a vida não vai andar sozinha, não é mesmo? Quer dizer, a vida até vai, a gente e as nossas coisas não vão. E pensei em todos os projetos do blog que estão de lado, todos os vídeos que adoro fazer, todos os estudos de filmes que estão pela metade. Eu tenho um trabalho novo que está começando e tenho todas essas coisas maravilhosas que amo fazer e tenho tempo pra tudo, mas tava sendo mais fácil deixar a lontra abraçar minhas costas e me afundar. É sempre mais fácil. E eis aqui meu pequeno desabafo. Acho que esse texto é mais pra mim do que pra qualquer outra pessoa, mas é sempre válido compartilhar essas coisas, né?

Sendo assim, Isa, obrigada demais pelo presente, ele foi o empurrão que eu precisava. Eu fiquei tão mas tão mas tão feliz! Ganhar presente, ganhar o presente certo e ainda da Isa! Até agora não sei como agradecer por ele e por essa amizade louca que aconteceu do nada. A única coisa ruim disso tudo é que você tá bem longe pra eu te dar um abraço, mas prometo que vou pra SP fazer isso e ainda levar meu bolo de côco.

Sobre descobrir uma (velha) nova paixão

livros do coração (21)

Olhando pra minha estante e pensando nas últimas trocas/compras de livros que fiz, notei que alguma coisa mudou por aqui. Tanto em mim, quanto na minha estante, que já tá sem espaço de tudo!

Eu já falei sobre esse assunto, mas o número de livros de literatura infantil/infantojuvenil cresceu de uma hora pra outra – os quadrinhos também passaram a ser um interesse mais recente – e esses tem sido os livros que mais procuro atualmente. Não me entendam errado, eu gosto muito de ler e isso quer dizer, bem, todos os livros que eu gosto de ler. Isso agora inclui também os livros infantis.

livros do coração (19)

livros do coração (6)

livros do coração (17)

livros do coração (5)

Um professor francês, que eu estudei bastante nos últimos tempos, chamado Alain Bergala, disse em seu livro A Hipótese-Cinema que uma boa maneira de as crianças assistirem a filmes diferentes – daqueles que passam na TV e no circuito comercial – , que elas normalmente não assistiriam, seria dado a elas o acesso a esses filmes. Uma ideia para isso seria ter uma filmoteca na escola (e acho que em casa também funcionaria). Então, tendo acesso e contato frequente com aquele montão de filmes diferentes e desconhecidos, a criança poderia ir explorando da maneira que quisesse e ir descobrindo coisas novas por si própria.

E, então, lembrei que eu me vi numa situação parecida nas férias de janeiro desse ano. Fiquei hospedada na casa de um casal de professores amigos em Santa Teresa, no Rio, por duas semanas. Quando cheguei na casa, uma das primeiras coisas que vi foi a estante da Fabi. Uma estante repleta de livros infantis do topo até o chão.

Por duas semanas eu dormi e acordei ali do lado daquela estante e todos os dias pegava livros aleatórios pra ler. Deve ter sido de 15 a 20 livros no total (e eu teria lido mais, se não tivesse escrevendo minha dissertação naqueles dias). Tenho quase certeza de que essa foi a razão que me faz, agora, só querer ir na sessão infantil nas livrarias!

Eu não só fiquei curiosa para ler, como também, de repente, comecei a me lembrar de vários livros que eu gostava quando era criança. E tem sido uma experiência muito boa lê-los de novo.

livros do coração (18)

livros do coração (16)

livros do coração (9)

livros do coração (8)

De repente, isso começou a apontar alguns caminhos inesperados pra mim. Comecei a descobrir coisas que eu gostaria de fazer, como hobby ou quem sabe como trabalho. Descobri alguns cursos interessantes,  eventos e lugares legais para ir. Descobri todo um mundo novo relacionado à literatura/produção editorial e editoras independentes que se tornaram fascinantes pra mim. Mesmo que tudo isso não dê em nada, a sensação é boa demais.

Isso me fez pensar em muitas coisas. A importância do acesso e do “se jogar” despretensiosamente em algo desconhecido. Primeiro, eu tenho certeza de que se eu não estivesse ido de férias praquela casa e passado horas e horas ao lado daquela estante, isso tudo não teria acontecido. Foi porque eu estava ali olhando pra eles e eles pra mim que tudo mudou. Claro que tem que ter um mínima empatia e curiosidade antes, mas… os livros infantis nunca foram objeto de interesse antes. Eles eram apenas uma boa memória e aquilo que te faz dizer: ah, que bonitinho!

Por outro lado, sempre penso que temos uma tendência muito grande em fazer as coisas já esperando algo em troca, com metas e objetivos que tem que ser alcançados desde já. E acho que isso acaba causando aquela ansiedade de ter que decidir logo e fazer logo alguma coisa (que eu já falei um pouco aqui no blog). Então, quando falo em se-jogar-despretensiosamente, tô falando disso, de aproveitar o momento, de se dedicar a uma coisa que te faz bem e que não vai te dar nada em troca, a não ser aquela sensação boa. E se por acaso render alguns frutos, bom, que sejam bons!

Mais do que boas histórias pra ler, é isso que os livros infantis me ensinaram nos últimos tempos.

livros do coração (15)

livros do coração (10)

livros do coração (11)

*

Para os curiosos de plantão, esses são os livros que aparecem nas fotos:

Quem tem medo de escuro? (Fanny Joly, Editora Scipione)

A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken (Jostein Gaarder e Klaus Hagerup, Companhia das Letras)

Inês (Roger Mello, Companhia das Letrinhas)

Malala, a menina que queria ir para a escola (Adriana Carranca, Companhia das Letrinhas)

Ei! Tem alguém aí? (Jostein Gaarder, Companhia das Letrinhas)

Cantiga (Blexbolex, Cosac Naify)

O menino que mordeu Picasso (Antony Penrose , Cosac Naify)

A parte que falta (Shel Silverstein, Cosac Naify)

Bichos que existem & bichos que não existem (Arthur Nestrovski, Cosac Naify)

Três razões para ler Minhas imagens do Japão

Se você gosta de literatura infantil, ilustração e cultura japonesa, provavelmente esse livro também é pra você.

Minhas imagens do Japão é um livro escrito por Etsuko Watanabe. Nele, a personagem Yumi, uma garotinha de sete anos, apresenta pra nós o Japão e como é viver lá: sua casa, a culinária, o dia-a-dia na escola, as datas comemorativas, o idioma, etc. Tudo isso ilustrado pela própria autora.

Eu me apaixonei pelo livro no momento em que o abri. Primeiro porque gosto muito de ilustrações de casas desde criança, principalmente as bastante detalhadas como são as desse livro. Segundo porque, junto com os desenhos, vem uma descrição do que é aquele ambiente, o que tem nele, pra que servem as coisas. E de quebra, a gente ainda aprende um pouco de japonês! A edição que eu tenho é de 2007, da Cosac Naify.

Assim que terminei a leitura fiquei morrendo de vontade de ler mais livros do mesmo estilo em que a autora fizesse a mesma viagem na cultura de outros países. Infelizmente, eles não existem…

Como já comentei várias vezes por aqui, sou apaixonada pelo universo infantil e tenho começado uma coleção de livros infantojuvenis. Eles são lindos, gostosos de ler e de ver e achei que seria uma boa ideia compartilhar com vocês junto com minhas outras leituras.

(Eu sempre quis fazer vídeos sobre livros e filmes, mas acho que não tem a ver comigo sentar e falar e falar e falar. Estava procurando saídas criativas pra isso e me inspirei na série Three Reasons que a Criterion Collection faz com os filmes. Acho que assim o vídeo e o post podem existir de forma independente e se complementarem. Espero que gostem!)