Em cartaz #36: Czechoslovakian school of animated film

No meu vício de colecionar pôsteres legais e bonitos, acabei caindo no site Terry Posters e encontrando essas belezas.

Estes são cartazes de filmes infantis produzidos na antiga Tchecoslováquia durante um período conhecido como Czechoslovakian school of animated film (algo como Escola tcheca de filmes animados). Eu não conheço nenhum, infelizmente. Aliás, acho que tive pouco ou nenhum contato com filmes de animação de outros países, ainda mais antigos, que não sejam os que vi na TV ou no cinema quando era criança.

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Embora eu tenha gostado de todos (e mais outros mil que estão lá no Terry Posters), acho que alguns dos meus preferidos são estes abaixo, que tem traços bem simples e, eu diria, divertidos. Parecem desenhos feitos por crianças e por algum motivo isso me faz gostar mais deles.

No geral, os pôsteres me chamaram atenção porque são coloridos e alguns bem minimalistas. Eu não sei ler nada disso que está escrito neles, então não dá pra saber bem sobre o que é o filme. Mas o design, as cores e as formas como os desenhos estão distribuídos no espaço me parecem não tão convencionais. Além de pôsteres de filmes, poderiam facilmente ser quadros ou capas de livros.

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Para acessar o link direto com o nome dos filmes e dos artistas que criaram os cartazes, é só clicar em cada imagem. E pra quem se animar, lá no site alguns deles estão à venda!

Boa semana, pessoal!

Em cartaz #35: John and Mary

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John and Mary se conhecem em um bar. Os dois engatam numa conversa interessante e Mary acaba indo para a casa de John. Na manhã seguinte, Mary acorda no apartamento daquele cara que ela nem sabe o nome e começa a andar pela casa tentando descobrir um pouco da vida do sujeito. John, depois que acorda, faz o mesmo movimento. Observando Mary, seu jeito, seus pensamentos, tenta entender com quem ele está sentado tomando café.

O filme é construído basicamente, e literalmente, sobre os pensamentos de John e Mary sobre o outro. Eles pouco conversam, o que mais ouvimos são seus pensamentos. Eles presumem coisas, tentam adivinhar, constroem futuros e o destroem logo em seguida, se julgam e brigam um com o outro dentro da cabeça sem nem ao menos se conhecerem.

Julgar as pessoas pela aparência, através de nossos próprios preconceitos, é tão feio, porém tão normal de acontecer, né gente? Quando a gente menos espera, podemos estar jogando fora uma coisa legal por causa desses comportamentos. Eu gostei do filme por causa disso, é bem simples e meio que coloca uma lupa nesse problema específico da desconfiança quando não conhecemos alguém.

 

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John e Mary é uma adaptação do livro homônimo escrito por Mervyn Jones, foi dirigido por Peter Yates e lançado em 1969. Apesar de ser ter Mia Farrow e Dustin Hoffman nos papeis principais, dois atores bem queridinhos naquela época – Mia havia acabado de fazer O Bebê de Rosemary – o filme parece não ter tido muita repercussão.

Nem encontrei muitos cartazes, como vocês podem ver. Esta segunda versão foi feita pela artista Miyuki Okashi, e achei bem mais interessante do que o poster oficial. Acho que é a primeira vez que encontro um cartaz feito – ou com o efeito – de aquarela.

Bom, pessoalmente, acho um filme bem realizado e, inclusive, um prato cheio pra quem gosta da moda e design dos anos 60/70. John era um amante do design e seu apartamento parece todo modernoso pra época, o que chama a atenção de Mary também. Eu não sei nada de arquitetura, gente, mas parece super chique. E Mia Farrow, toda bonita com esse pixie cut e vestido de gola peter pan, dispensa comentários!

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No ano passado, na semana do dia dos namorados, fiz um post com uma lista de filmes anti-dia dos namorados. Pra não repetir a negatividade, resolvi trazer esse porque é, de certa forma, esperançoso e nos faz pensar na forma como agimos nesse processo de conhecer alguém novo. Acho que não deve ser um filme difícil de encontrar, mas ele está completo no youtube!

Agora, momento desabafo, quase não tenho assistido filmes, gente, socorro! O que vocês tem visto de bom? Me contem aí!

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Em cartaz #34: Hakuho Hirano

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Desde que li O Livro do Travesseiro, minha curiosidade em relação à cultura japonesa só aumentou. Sabe quando você entra numa onda de ficar pesquisando tudo sobre um assunto freneticamente? Estou nessa fase.

Num desses meus momentos de imersão, encontrei essas pinturas da artista Hakuho Hirano. Não há muitas informações sobre sua vida, mas ela nasceu em Kyoto, em 1879.

Esse tipo de pintura é conhecido como bijin-ga, que parece ser uma palavra no Japão para descrever gravuras de mulheres bonitas. Os desenhos são feitos sobre placas de madeira com uma técnica parecida com a xilogravura, conhecida como ukiyo-e, que significa “retratos do mundo flutuante”. Bonito, né? Geralmente eram retratados momentos da vida cotidiana durante o período Edo (que foi quando o ukiyo-e surgiu), envolvendo as mulheres, lutadores de sumô, artistas performáticos. Com o tempo a técnica continuou a ser usada e os temas foram mudando também.

Essas pinturas da Hakuho Hirano são da década de 1930 e ela parecia gostar de desenhar as mulheres, principalmente de costas ou com apenas uma parte do rosto a mostra. Foram exatamente as que eu mais gostei, justamente porque não vemos o rosto delas. Achei que isso cria uma aura de mistério envolta da pintura, uma situação meio de voyeur, como se as mulheres das gravuras não soubessem que estão sendo observadas.

Não existem muitos trabalhos da Hakuho Hirano divulgados, mas existem muitos outros artistas de bijin-ga e tantas outras pinturas bonitas para quem quiser ver mais. Essas aí ganharam meu coração.

Em cartaz #33: Quinzaine des Réalisateurs 2015

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Eu não resisto a um cartaz bonito em preto e branco! Esse é da edição deste ano da Quinzena dos Realizadores, uma mostra paralela que acontece durante o Festival de Cannes.

Essa mostra foi criada pela Société des réalisateurs de films logo depois de Maio de 68 com o objetivo de exibir filmes de novos jovens diretores. Filmes de muitos diretores hoje conhecidos passaram pela Quinzena, como a Sofia Coppola, Wener Herzog e Jim Jarmusch.

Meu francês é terrível, mas entendi que a edição desse ano faz uma homenagem às mulheres que resolveram se jogar no cinema. “O cinema é um oceano e, nestes tempos tumultuados, não é surpreendente que ele esteja borbulhando Não é de se estranhar que através desta imagem estejamos celebrando aquelas mulheres suficientemente audaciosas ou valentes para enfrentar este espaço vasto e turbulento” (leia o texto no site oficial da Quinzena).

Eu pensei que a imagem do poster fosse de algum filme, mas é uma foto feita por uma fotógrafa chamada Cécile Burban. Bonita demais e bem inspiradora.

Começar a semana vendo coisas bonitas é bom, né? Boa semana pra todo mundo, gente!

Em cartaz #32: Kino Babylon

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Esses cartazes foram feitos pelo designer Luca Bogoni para o cinema Kino Babylon que fica em Berlin. Luca disse em seu próprio site que ao planejar esta campanha para o Kino Babylon, ele pensou o cinema como uma Torre de Babel dos dias modernos, um lugar de encontro não só de filmes, mas também de uma comunidade eclética com interesses diversos.

É uma pena que não tenha encontrado a imagem em melhor resolução, mas acho que vocês conseguem ver as pessoinhas e elementos que ele colocou compondo essa “torre”.

Mas isso tudo aí eu só fiquei sabendo depois. Os cartazes me chamaram atenção mesmo porque tem a cara de quatro diretores que estão na minha lista top 10 da vida. E as frases que compõe os cartazes foram ditas por eles mesmos. Eu não entendo alemão e muito pouco de francês, então vou colocar uma tradução aqui pra quem também está no mesmo barco!

Godard diz: “É preciso confrontar ideias vagas com imagens claras”. Woody Allen diz: “Deus está morto, Marx está morto e eu também não me sinto muito bem”. Polanski diz: “Um filme deve fazer você esquecer que está sentado em um cinema“. E Hitchcock, com cara de fanfarrão, diz: “Existe algo mais importante do que a lógica, a imaginação”.

Eu gostei bastante da ideia. De tudo, aliás. Da fonte, do contraste do rosa com o preto e branco e das fotos escolhidas. Fora que foi uma forma de dar visibilidade e de apresentar os diretores para quem passou pelo cinema e não os conhecia.

Campanhas bonitas como essas por aqui, por favor!

(O Kino Babylon é um dos cinemas mais antigos de Berlin. Ele começou a funcionar em 1929 e atravessou todos esses anos firme e forte, mesmo com as guerras e as situações caóticas as quais a Europa esteve submetida. Encontrei esse artigo bem legal para quem se interessar pela história!)

Em cartaz #31: Submarine

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Submarine está na minha lista há tempos. E fico feliz em anunciar que ele é o primeiro filme da meta que fiz para esse ano (lembram?) que aparece aqui no blog.

Impressões antes de assistir ao filme: cartaz bonito, história boba.

Impressões depois de assistir ao filme: cartaz bonito, história boa, contada de um jeito bem diferente, leve, divertido e fantasioso. Tudo que eu precisava.

O filme é narrado em primeira pessoa por Oliver Tate. Na escola, ele é aquele garoto meio desajustado, com problemas de socialização, mas que acaba gostando de Jordana, uma menina da turma, totalmente diferente dele, cheia de personalidade e atitude.

Ao lado dessa trama, acompanhamos outra, que envolve a estranha relação que Oliver tem com os pais. Um tanto intrometida, eu diria, mas que faz muito sentido depois quando ele descobre que o casamento deles pode estar sendo ameaçado.

 photo tumblr_mas3lrTHGt1qbexr4o1_1280_zpslpv9mbye.jpg(fan made poster por Jack Watkins)

 

O filme é dirigido por Richard Ayoade, que depois descobri ser o mesmo diretor de O Duplo (outro filme que gostei bastante e comentei aqui). Não sei nada do diretor, mas já considero pacas, haha.

Foi meio inevitável para mim comparar o estilo de Submarine com o trabalho do Wes Anderson, por mil motivos. Primeiro, esteticamente. Os cenários são muito cheios de elementos que ajudam bastante a mostrar a vida dos personagens e eles praticamente vestem as mesmas roupas durante todo o filme. Os movimentos de câmera e enquadramentos são precisos – por exemplo, enquadrar pessoas e objetos bem no meio da tela. Acontece muitas vezes – e há vários closes em elementos que são importantes pra história – uma fita cassete, um bilhete, uma carta.

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Todos os personagens também tem a personalidade muito bem delineada e isso não se modifica muito ao longo da narrativa. As vezes eles acabam transformando situações simples e algo muito complexo ou dramático. E tudo isso é contado através de diálogos inteligentes e, claro, uma trilha sonora maravilhosa.

Deem uma olhada no trailer pra vocês sentirem do que eu estou falando.

Infelizmente não encontrei muitos cartazes do filme. Infelizmente não, porque o oficial é bem bonito e dá conta do recado, inclusive do título, que não vou explicar aqui, claro.

Encontrei esses cartazes fan made, que foram os poucos que identifiquei os autores. Tem outros por aí, mas prefiro postar aqueles que eu possa dar o crédito, afinal é um trabalho e muito bom e que eu gosto bastante.

O preto e branco foi meu preferido, pra variar.

 photo dc168cbb766d606380a85977c1a69ad0_zpstqtf79de.jpg(por Sad Disco *o tumblr não existe mais)
 photo f0115a33ef5125d070433dd208307382_zps7ttzynri.jpg(por Steve Womack)

 

Confesso que depois desse tempo senti uma certa dificuldade em escrever o post, haha. Mas enfim, o blog está de volta! Minha banca de mestrado vai ser no dia 16, mas agora a vida já está entrando novamente nos trilhos.

Espero que tenham gostado da dica do filme. E se alguém já assistiu, não deixa de me contar o que achou! (E ouçam a trilha! Sério, é muito boa!)

 

Em cartaz #29: León, The Professional

Para começar o ano bem, o primeiro post de 2015 vai ser sobre um dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos. Com certeza é também um daqueles que estavam na minha lista esperando há muito para para ser escolhido. Vários de vocês já comentaram sobre ele por aqui e eu deveria ter assistido antes!

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León, León: The Professional, O Profissional são algumas variações do título desse filme belíssimo do Luc Besson, lançado em 1994.

Ele conta a história do encontro entre León e Matilda. Ele, um assassino profissional, impecável no trabalho que faz, quase um mágico, tamanha destreza e habilidade para matar pessoas. Ela, uma garota de 12 anos, que mora com o pai, o irmão, a madrasta e sua meia-irmã. Uma família problemática, para dizer o mínimo.

Um dia, toda sua família acaba sendo assassinada devido ao envolvimento do pai com o tráfico de drogas. Matilda se safou porque havia ido ao mercado comprar coisas para casa e também um litro de leite para seu vizinho, León. Ao voltar e ser surpreendida com a situação, ela não tem onde procurar abrigo, a não ser com León. Os dois não são íntimos, mal se conhecem e, relutantemente, ele aceita ficar com ela por um tempo. E ela está decidida a aprender o ofício de León, para vingar a morte de seu irmão, o único com que ela realmente se importava.

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Confesso que não fiquei muito empolgada com os cartazes. Os originais mais divulgados por aí (os dois primeiros) tem bastante cara de cartaz de filme de ação dos anos 90 e não são lá muito atraentes. Mas existem vários trabalhos legais feitos por fãs e também versões de outros países mais interessantes.

Mas os motivos pelos quais eu gostei do filme são muitos. Então, vamos lá.

Primeiro: acho que todos aí conseguem identificar que é a Natalie Portman nos cartazes, certo? Na época, ela tinha entre 12 e 14 anos (não sei ao certo quanto tempo durou a produção do filme) e este foi seu primeiro longa-metragem. Gente, não tem outra forma de dizer isso, ela simplesmente samba na cara de todo mundo nesse filme. Essa mulher nasceu pra atuar mesmo, não tem jeito!

O filme não é delicado, não tem temas delicados e Matilda é uma personagem sofrida e forte, que lida com o amor e a morte de formas intensas. Foi uma estreia poderosa para uma pessoa tão jovem, sem dúvidas. (Encontrei no youtube o vídeo com o teste da Natalie para o filme, vale a pena assistir!)

Vi uma entrevista em que Natalie conta como foi dureza os pais a deixarem atuar no filme. Claro, não deve ser exatamente a personagem que os pais sonham para suas filhas de 12 anos. Parece que eles colocaram várias condições para que ela pudesse participar e Luc Besson acatou. Por exemplo, Natalie conta que eles pediram que ela aparecesse com cigarro apenas 5 vezes durante o filme todo e que nunca deveria tragar. Algumas cenas com conotações sexuais também foram retiradas do roteiro.

Fico feliz que Besson tenha aceitado, de outra forma pode ser que Natalie não tivesse uma estreia tão boa no cinema (mentira, ela teria sim!). E enfim, acho que o filme está no ponto certo. Talvez se tivesse sido mais explícito, seria no mínimo estranho e desconcertante.

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Eu adoro filmes em que há personagens principais crianças, mas que não sejam para crianças, e sim sobre elas e esse é mais um motivo que me fez gostar de León. Ele é assim e conquistou meu coração logo nos primeiros minutos.

Ao mesmo tempo que notamos como a garotinha é forte, ao longo do filme vai se aflorando por trás de toda aquela carcaça de matador profissional, o lado mais sensível e doce de León. Acima de tudo, acho que esse encontro inesperado e a forma como a relação deles se desenvolve é o que mais me fez gostar do filme.

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Se você não assistiu, fica a recomendação, a primeira do ano! Para quem tem curtido essa vibe anos 90 também indico muito o filme. A direção de arte é excelente e Matilda é uma garotinha com muito estilo.

Me lembro que muitos de vocês já citaram o filme nos comentários, então quero saber o que vocês acharam! Me contem aí!

Os cartazes são do site the image kids has it.