Twin ♥ Peaks

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Hoje é o dia em que eu finalmente venho aqui indicar pra vocês uma das minhas séries favoritas: Twin Peaks.

Eu já falei rapidinho sobre ela aqui em algum lugar, mas acho que nunca contei sobre o que ela é e nem declarei meu amor assim fervorosamente. Mas nunca é tarde, vamos lá:

Um belo dia, na cidadezinha de Twin Peaks, EUA, o corpo de uma menina é encontrado na beira do rio, enrolado em um plástico. Era Laura Palmer e ela estava morta. Todos da cidade ficaram chocados. Quem matou Laura Palmer? Quem matou essa menina tão querida por todo mundo? Logo em seguida, uma outra garota, Ronette, aparece toda machucada e em completo estado de choque, incapaz de contar o que havia acontecido. A polícia local começou a desconfiar que os dois casos estavam relacionados e um agente do FBI foi enviado à Twin Peaks pra comandar a investigação. Ele era nosso amado Agent Dale Cooper.

Essa é o comecinho da série e a trama principal, mas o que se segue depois disso é totalmente inesperado.

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Acho bem difícil de definir Twin Peaks. Ela é bem complexa e envolve personagens super excêntricos numa história policial, com elementos surrealistas, muito suspense e mistério e terror psicológico. E um pouco de humor também. Sabe aquela coisa ‘festa estranha com gente esquisita’? Então, é bem assim.

Talvez o que tenha me feito gostar tanto da série é exatamente essa complexidade. Com aquela característica bem clichê de cidade pequena, todo mundo conhece todo mundo, mas ninguém se conhece de verdade. Os personagens são excêntricos, mas guardam muitos segredos que vão sendo relevados ao longo da investigação sobre o assassinato de Laura. Embora os personagens principais existam, de repente tá todo mundo envolvido naquela loucura. Quando a gente pensa que sacou qual é a de alguém, outros segredos são revelados e já ficamos perdidos de novo.

A série é dirigida por David Lynch, então já dá pra esperar bastante loucurinhas. Algumas passagens de Twin Peaks acontecem nos sonhos do Agent Cooper e as cenas são uma das coisas mais loucas que já assisti. A sensação é a de que estamos mesmo assistindo a um sonho e acho que isso é uma coisa super difícil de se materializar. Tá de parabéns..

Ou seja, gente, tem sonhos, tem um toco de madeira que faz super revelações, tem problemas adolescentes, tem romance na delegacia, tem muita choradeira. Deu pra perceber?

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Mas gosto de ser muito sincera e não poderia deixar de fazer um comentário. Twin Peaks foi lançada em 1990 e é uma série que foi feita pra TV. A primeira temporada teve 8 episódios e depois resolveram alongáaaa-la e fazer uma segunda temporada com 22 episódios.

A primeira é boa demais, é minha preferida e já assisti 3 vezes. Mas a segunda é meio enrolona em um pedaço, gente, não vou mentir. Tem um miolo dela que pode ser bem enjoado de assistir. Porém, série é aquela coisa, fiquei morta de curiosidade de saber o desfecho da história e não podia parar de ver. O final vale a pena, de verdade. Mas se você quiser parar de ver no meio do caminho não vou julgar. A primeira temporada é sensacional e não deixa nada a desejar.

 

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Amigos, se vocês estão procurando uma série nova pra assistir ou se estão querendo ver alguma coisa temática nesse mês das bruxas, fica aí minha dica do coração. A série não tem violência brutal e sangue jorrando, mas tem muito mistério e acontecimentos estranhos, então se você gosta de um bom suspense, Twin Peaks pode ser uma ótima opção.

E mais uma coisa: a série volta no ano que vem com 9 episódios especiais dirigidos pelo David Lynch. Laura Palmer avisou que a gente se veria de novo em 25 anos e irá cumprir a promessa. Quem aí tá super ansioso? Eu tô morta!

Em cartaz #35: John and Mary

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John and Mary se conhecem em um bar. Os dois engatam numa conversa interessante e Mary acaba indo para a casa de John. Na manhã seguinte, Mary acorda no apartamento daquele cara que ela nem sabe o nome e começa a andar pela casa tentando descobrir um pouco da vida do sujeito. John, depois que acorda, faz o mesmo movimento. Observando Mary, seu jeito, seus pensamentos, tenta entender com quem ele está sentado tomando café.

O filme é construído basicamente, e literalmente, sobre os pensamentos de John e Mary sobre o outro. Eles pouco conversam, o que mais ouvimos são seus pensamentos. Eles presumem coisas, tentam adivinhar, constroem futuros e o destroem logo em seguida, se julgam e brigam um com o outro dentro da cabeça sem nem ao menos se conhecerem.

Julgar as pessoas pela aparência, através de nossos próprios preconceitos, é tão feio, porém tão normal de acontecer, né gente? Quando a gente menos espera, podemos estar jogando fora uma coisa legal por causa desses comportamentos. Eu gostei do filme por causa disso, é bem simples e meio que coloca uma lupa nesse problema específico da desconfiança quando não conhecemos alguém.

 

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John e Mary é uma adaptação do livro homônimo escrito por Mervyn Jones, foi dirigido por Peter Yates e lançado em 1969. Apesar de ser ter Mia Farrow e Dustin Hoffman nos papeis principais, dois atores bem queridinhos naquela época – Mia havia acabado de fazer O Bebê de Rosemary – o filme parece não ter tido muita repercussão.

Nem encontrei muitos cartazes, como vocês podem ver. Esta segunda versão foi feita pela artista Miyuki Okashi, e achei bem mais interessante do que o poster oficial. Acho que é a primeira vez que encontro um cartaz feito – ou com o efeito – de aquarela.

Bom, pessoalmente, acho um filme bem realizado e, inclusive, um prato cheio pra quem gosta da moda e design dos anos 60/70. John era um amante do design e seu apartamento parece todo modernoso pra época, o que chama a atenção de Mary também. Eu não sei nada de arquitetura, gente, mas parece super chique. E Mia Farrow, toda bonita com esse pixie cut e vestido de gola peter pan, dispensa comentários!

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No ano passado, na semana do dia dos namorados, fiz um post com uma lista de filmes anti-dia dos namorados. Pra não repetir a negatividade, resolvi trazer esse porque é, de certa forma, esperançoso e nos faz pensar na forma como agimos nesse processo de conhecer alguém novo. Acho que não deve ser um filme difícil de encontrar, mas ele está completo no youtube!

Agora, momento desabafo, quase não tenho assistido filmes, gente, socorro! O que vocês tem visto de bom? Me contem aí!

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Uma xícara de chá, por favor: Jasmim

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O post de hoje é sobre o chá mais cheiroso que eu tenho em casa (e que veio em uma das latas mais bonitas também). E não estou exagerando. Lendo sobre o chá de jasmim esses dias, descobri que ele é realmente usado mais por causa do seu aroma.

O chá de jasmim é feito, na verdade, das flores do jasmim misturadas com outro chá “base” que geralmente é o chá verde. Mas é possível, e inclusive recomendado por causa dos benefícios, misturar o jasmim com qualquer outro chá. E pode ser sem mistério, pegando a flor inteira da planta e colocando na sua chaleira/xícara. O que é uma ótima ideia de decoração também. Além de cheirosa, as florzinhas são bem bonitas.

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Como nada é simples nesse mundo, existem diferentes espécies de jasmim, mas as mais comuns utilizadas nas infusões são a Jasminum officinale, que é cultivada aqui no Brasil, e a Osmathus fragrans, que são naturais da China e do Japão.

Se você for procurar pelos benefícios do jasmim na internet, vai encontrar muitos, mas vou ficar com o Francis Rohmer, que escreveu O Livro do Chá. Ele diz que o jasmim é bom, principalmente pra acalmar o estômago, aliviando dores e ajudando no processo digestivo. O que me faz pensar que ele é meio calmante de forma geral. Então, é provavelmente uma boa opção de chá para os momentos de tensão da vida, em que a gente fica se remoendo por dentro, com dor em tudo quanto é lugar, achando que vai morrer. Não fique assim, tome um chá de jasmim (e depois me conta se ajudou haha).

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Essa latinha das fotos, comprei em SP no ano passado. Ela é da China e por isso eu quis experimentar. Posso garantir que esse aí rende bastante, porque bebo com frequência e não acaba nunca. Antes disso, eu já tinha terminado com outra latinha pequena (vou mostrar outro dia), mas o chá não era tão gostoso e cheiroso quando esse daí. Fica minha recomendação! Já vi em outras lojas, inclusive aqui em JF, acho que é fácil de encontrar. Essa marca vende o mesmo chá em sachês (o Ferds me mandou alguns! <3), então se você não tem infusor ou se tem preguiça desse método, não tem problema.

Vamos começar a semana bem calminhos, na paz, com um chá cheiroso? Vamos. Então tá, boa segunda!

O Livro do Travesseiro

Da primavera, o amanhecer. É quando palmo a palmo vão se definindo as esmaecidas linhas das montanhas e no céu arroxeado tremulam delicadas nuvens.”

Nem precisei terminar de ler essas primeiras linhas de O Livro do Travesseiro para ter certeza de que seria maravilhoso. Ele foi escrito por Sei Shônagon, uma dama que serviu na corte de Teishi, Consorte do imperador Ichijô, no período Heian no Japão (794-1192). É algo entre um diário, coletânea de ensaios, percepções sobre o mundo, listas, opiniões sobre os mais diversos assuntos e fofocas da corte. O livro é considerado uma das obras mais importantes e representativas da literatura clássica japonesa. E com toda razão. Acho que a Sei deve estar muito orgulhosa em algum lugar por aí.

Existem muitos mistérios envolvendo a obra. A começar pelo próprio nome da autora, que não é esse exatamente, embora não tenham descoberto qual seja. As interpretações sobre o título também são as mais diversas e não há um consenso sobre o real significado dele. A forma e razão pelas quais ele foi escrito e publicado também são misteriosas. Mas esses são detalhes que, inclusive, dão um certo charme pra coisa toda. Toda a essa parte do contexto e da pesquisa que os tradutores fizeram estão no início do livro, mas eu aconselho ler essas informações por último porque elas farão mais sentido depois.

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De qualquer jeito, essas questões acabam ficando em segundo plano e também não foi por isso que me apaixonei pelo livro. Acima de tudo, o que mais me impressionou foi como Sei consegue descrever coisas, as vezes, tão banais de forma delicada, e a sensibilidade que ela tinha em conseguir enxergar a beleza das coisas e conseguir reuni-las nessas listas.

Coisas que nos alegram. Ler a primeira parte de uma narrativa ainda desconhecida, ficar muito fascinada e depois encontrar a continuação. No entanto, pode haver também decepções. Juntar os pedaços de uma carta que alguém rasgou e abandonou, e conseguir ler uma sequencia de várias linhas; ter um sonho indecifrável que esmaga o coração de pavor e receber a interpretação de não se tratar de nada especial causam muita alegria (…).”

Grande parte do livro segue esse padrão de escrita que se parece com listas ou anotações meio livres, numa mistura dos gêneros soshi e zuihitsu (literalmente “ao correr do pincel”), que é exatamente uma forma de escrever livre, de acordo com as ideias que surgem no momento, ao correr do pincel mesmo, como diz o termo. Tem uma vasta explicação sobre esses gêneros contextualizados na literatura japonesa no início do livro e foi realmente um mundo novo que se abriu pra mim. Se eu já achava que sabia pouco sobre a história do lado oriental do mundo, agora tenho certeza de que não sei praticamente nada.

Para quem gosta de fazer listas, e sei que muita gente gosta, esse livro é um prato cheio porque Sei é uma mestra nisso. Tem listas sobre tudo o que vocês imaginarem: Coisas que são melhores quando grandes, Coisas que devem ser curtas, Coisas que são adequadas a residências de nobres, Quanto a santuários, Quanto a colinas, Quando a monges, Coisas que causam apreensão, Coisas que parecem penosas… e por aí vai.

O que acho mais bonito nisso tudo é que não são simplesmente listas, na minha percepção. Se ela consegue fazê-las é porque ela deu atenção a determinados aspectos daquele tema. Não sei se é o tipo de coisa que alguém senta e escreve displicentemente. Através da própria escrita dá pra ter a sensação de que houve um tempo de observação, de experiência, de envolvimento com aquilo. Está aí um novo tipo de listas que deveríamos tentar fazer.

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Além de toda a sensibilidade perceptiva que ela tinha, e apesar de ser uma dama muito educada e de certo prestígio na corte, Sei tinha uma língua bem afiada e não deixava de criticar quem achava que merecia ser criticado, de alfinetar as pessoas e contar os malfeitos que aconteciam com os outros. Normal, né? Tem certas coisas que não mudam, seja nos anos 900 no Japão, seja hoje aqui no Brasil.

Quem se irrita com alguém que fala dos outros é que é inconcebível. Como podemos ficar sem falar dos outros? Haverá coisa melhor do que falar mal dos outros, evitando referir-se a si próprio? Mas isso parece condenável, e é também constrangedor quando a própria pessoa ouve o comentário e se enche de ódio. Em relação às pessoas de nosso relacionamento, nós tudo relevamos e nos calamos. Se não fosse por isso, também faríamos comentários e riríamos delas.”

Com uma pitada de humor, Sei conta várias pisadas de bola das damas e dos homens da corte, e também as próprias. No meio disso tudo vamos descobrindo a dinâmica da sociedade naquela época, a relação entre homens e mulheres, entre damas e serviçais, entre marido e mulher e, além disso, a relação das pessoas com a natureza, com as estações do ano, com a literatura, com a poesia, com a religião, com o tempo. É um livro riquíssimo para termos contato com essa forma de viver e de pensar tão distantes de nós.

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Fiquei muito triste quando o livro acabou. Mesmo. Já estava me sentido amiga da Sei e não queria que acabasse. Mas acabou. Agora só me resta reler algum dia.

Não vou mentir, estou escrevendo esse post há um tempo, porque simplesmente não sei como terminá-lo! Mas enfim, acho que já deu pra notar que eu gostei bastante do livro, né? Como parar de falar sobre uma coisa pela qual você se apaixonou? Difícil. Então, vou parar assim, do nada, por aqui, e deixar minha sugestão pra vocês. Ele é praticamente um livro de história e seria impossível falar resumidamente de tudo sobre o que ela escreve. Conhecendo a personalidade da Sei, acho que ela ficaria muito brava se eu fizesse isso. Seria uma deselegância profunda. Então só posso contar o quanto eu gostei e dizer que ele entrou para os preferidos, sem sombras de dúvidas.

Queria linkar aqui essa postagem da para o blog da Cosac Naify chamada Anotações para quando visitar o Japão, que achei que tem tudo a ver com o livro e complementa de certa forma a apresentação que eu fiz pra vocês.

É isso tudo.

(Obrigada, Dudu, por ter me dado um dos melhores presentes que já ganhei na vida!)

No Mythologies to Follow

Vamos falar de coisa boa? Vamos falar de quando você fica obcecado com um cantor/banda e não consegue parar de ouvir? Vamos.

Está sendo assim depois que eu descobri . Karen Marie Ørsted é dinamarquesa, tem 26 anos e estourou tem pouco tempo. Na verdade, eu nunca tinha ouvido falar dela, mas uma amiga me indicou e desde então não consigo parar de ouvir.

As músicas me lembraram bastante Lorde e, ao mesmo tempo, Lana Del Rey. Não entendo nada de música e sei que são todas bem diferentes, mas pra mim a soa como um misto de características das duas. Sinto que estou viajando, mas tudo bem, só sei que é muito bom!

Seu primeiro álbum se chama No Mythologies to Follow e foi lançado no ano passado. Aqui vão algumas das minhas preferidas.

 

Só na lindeza, só na obsessão! Vocês já conheciam?

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Os melhores filmes e as decepções de 2014!

Sim, finalmente 2014 está chegando ao fim! E chegou também a hora de fazer o balanço do que assisti ao longo desses meses, assim como fiz no ano passado.

Confesso que essa foi uma lista difícil de fazer, o que me deixa feliz porque, de certa forma, significa que assisti a muitos filmes que me agradaram. Já os desapontamentos foram bem fáceis de identificar, haha.

Bom, a maioria dos filmes legais que assisto, costumo colocar nos Filmes da Semana, mas esses daqui foram os que se destacaram por algum motivo. O engraçado é que depois que fiz a lista, notei que falei sobre quase todos eles aqui no blog, o que também faz muito sentido! Então, vamos lá.

 

 ♥ O Gosto do Chá

Geralmente não consigo fazer essas definições, mas posso dizer com segurança que a melhor descoberta de filme que fiz esse ano foi O Gosto do Chá. Ele entrou direto pra minha lista de melhores da vida, inclusive! Mas não vou falar muito porque já escrevi apaixonadamente sobre ele aqui.

 

 ♥ Miss Violence

Outro filme que mexeu com meu coração foi Miss Violence. Talvez tenha sido o filme mais impactante do ano. É daqueles que te tira completamente da zona de conforto, que te faz pensar nos relacionamentos familiares, no poder que as pessoas tem sobre as outras. É tenso. Tem resenha dele aqui no blog, mas se não quiser nenhum spoilerzinho, assista apenas ao trailer!

 

Palo Alto

Já disse por aqui que sou fã da Sofia Coppola e dessa família de gente talentosa. Adorei também Palo Alto, que foi o primeiro longa da Gia Coppola, sobrinha da Sofia. Embora tenha sido baseado em um livro de contos do James Franco, que não curto muito por motivos completamente abstratos, o filme é lindíssimo e muito bem realizado.

No post que escrevi sobre ele, comentei também que as cores – e a direção de arte de modo geral – do filme são belíssimas e voltarei a falar sobre isso no ano que vem.

 

 ♥ Picnic at Hanging Rock

Seguindo a vibe de histórias da adolescência, não poderia deixar de citar Picnic at Hanging Rock, um filme tão misterioso e estranho quanto a própria adolescência. Também escrevi bem enigmaticamente sobre ele aqui no blog. Não é um filme que se pode falar muito.

 

 ♥ O Duplo

Baseado no romance O Duplo, de Dostoiévski, arte maravilhosamente trabalhada e um combo de drama e humor meio obscuro. É muito inteligente e brinca bastante com nossa imaginação. Não é exatamente realista e já adianto que não tem nada a ver com aquele O Homem Duplicado – porque vi algumas pessoas compararem os dois.

Mas ainda não falei sobre ele por aqui e também não sei se já chegou aos cinemas, então fica a recomendação! Assistam ao trailer pra vocês terem um gostinho.

♥ O Profissional

Como assim demorei tanto pra assistir a esse filme? Já tinha ouvido falar e estava na minha listinha depois da empreitada de assistir a todos os filmes com a Natalie Portman. A curiosidade aumentou depois que fiquei sabendo que a música Matilda, do Alt J, foi inspirada na personagem da Natalie nesse filme.

Nunca poderia imaginar que seria tão bom! O título original é Léon, The Professional, e foi dirigido pelo Luc Besson. E é claro que ele vai merecer um post especial aqui no ano que vem!

 

 ♥ O Grande Hotel Budapeste

Embora esse não seja meu filme favorito do Wes Anderson, quis incluí-lo aqui porque foi um dos poucos filmes bons que assisti em uma sala de cinema de fato esse ano. Aqui na minha cidade não tem sido oferecida uma programação tão diversificada e acabamos ficando presos ao que tem nas redes de cinema dos shoppings.

Mas O Grande Hotel felizmente chegou aqui! É bonito, é engraçado e não tem como não agradar quem gosta do estilo do Wes.

 

♥ Inside Llewyn Davis

E por último, Inside Llewyn Davis, para acabar de derreter nossos corações. Fiz uma resenha detalhada e declarei todo o meu amor pelo filme nesse post.

Não tem nada que eu não tenha gostado nesse filme. História, estrutura narrativa, as cores, as músicas, o elenco…

*

Bom, sobre as decepções, me surpreendi ao pensar que foram mais ou menos as mesmas do ano passado e 90% delas foram em relação a filmes de ficção científica ou de viagens espaciais. Junto com Gravidade e Elysium, que foram os que citei na lista passada, acrescento às decepções Oblivion, Monsters, Viagem à Lua de Jupiter, Contra o Tempo e Upside Down.

Não sei, talvez seja uma implicância minha, talvez eu esteja esperando algo que eu acho que seja óbvio que estejam nesses filmes e não está.

A questão é que a maioria deles tem ideias muito boas, como é o caso de Upside Down e Monsters. A base é bem original, mas o desenvolvimento da história sempre acaba no casal que quer ficar junto. As questões mais interessantes relativas à ficção científica em si quase nunca são exploradas e acaba que muita coisa fica mal explicada. Fora que esse tema do mocinho e da mocinha que tentam ficar juntos nem é desenvolvido com originalidade, é sempre a mesma coisa…

Sobre essa questão dou destaque especial ao Upside Down, que tem uma ótima ideia, um excelente elenco (Kirsten Dunst e Jim Sturgess), lindas imagens e efeitos gráficos, mas que me deixou muito irritada! Acho um desperdício de dinheiro, sinceramente. É um romance muito besta e o fato de que ele se passou naquele ambiente futurista e diferente não o deixou mais interessante.

Outro desabafo sobre isso é o fato de que nos “filmes do futuro” tudo é branco e de vidro e com telas de touch e todo mundo usa roupas que parecem de neoprene. Gente, vamos lá, isso não tem mais a cara do futuro. Tirando as naves voadoras, nossa vida já tem muitas semelhanças com isso. Inclusive, roupas de neoprene estiveram ou estão em alta de verdade. Será que não tem outras formas de pensar como seria o futuro? Esse é um terreno que pode ser explorado infinitamente e sem limites exatamente porque o que, pelo menos pra mim, torna o futuro tão misterioso é exatamente seu mistério! Ele pode ser o que quer que nossa cabeça imagine.

Mas, claro, não foi tudo ruim… Não posso deixar de mencionar alguns filmes nessa linha que assisti nesse ano que foram bons e bem originais em várias questões como Her, Mr. Nobody, Under the Skin, Interstellar e The American Astronaut.

Me planejei para escrever tanto sobre essa minha decepção, quanto sobre alguns desses filmes que citei agora, mas infelizmente não consegui. Enfim, gostaria de pensar melhor sobre essas questões, assistir a mais filmes de ficção científica e rever alguns que gostei para estruturar melhor minha crítica. Até porque comecei a me interessar por esse tema recentemente e sei que tem muita coisa mais antiga e boa que merece ser vista.

De qualquer forma, não queria deixar de compartilhar esse desabafo com vocês. De repente tem alguém aí que tem sentido a mesma ou então que tem algum filme pra indicar.

Bom, pessoal, acho que é isso tudo por hoje! Espero que tenham gostado das dicas. E claro que vou adorar saber quais foram os filmes legais que vocês assistiram nesse ano, me contem aí!

Obrigada mais uma vez por me acompanharem por aqui! No ano que vem tem mais!

<3

Resenha | Timoleon Vieta volta para casa

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Cockroft é um velho compositor/escritor que vive na região da Toscana, na Itália, com seu companheiro vira-lata Timoleon Vieta. Além de passar os dias lembrando dos seus poucos tempos de glória, Cockroft tinha como diversão – e também como motivo para afastar a solidão – convidar jovens garotos que conhecia pelos bares da região para o visitarem e ficarem o tempo que quisessem em sua casa em troca de favores sexuais.

Essa estratégia nunca havia sido bem sucedida, mas um dia aparece em sua porta um cara bonito e misterioso que se identificou como o Bósnio. Cockroft ficou louco com o novo visitante e embora o jovem não desse muita bola para ele, era ótimo ter uma companhia. Só tinha um problema: o Bósnio e Timoleon Vieta se odiavam.

A situação entre os dois ficou tensa, o Bósnio não suportava o cachorro e um dia disse para Cockroft que iria embora. O velho ficou enlouquecido, não queria ter que escolher, mas não suportava a ideia de ser abandonado de novo. Então, cedendo à pressão do Bósnio, os dois colocaram o cachorro no carro, dirigiram até o Coliseu em Roma e o deixaram lá, na rua.

É com essa história que o livro começa. A parte um se chama “Timoleon Vieta” e a parte dois “Timoleon Vieta volta para casa”.

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Por que eu gostei do livro?

Gostei principalmente por causa do estilo de escrita do autor, Dan Rhodes. É um texto bem calmo e linear. Quero dizer com isso que, por exemplo, se o livro na verdade fosse lido em voz alta pelo autor, acho que não haveria muitas variações no tom. Ele consegue falar de algo bonito e feliz com o mesmo tom que fala de uma tragédia.

Então, ele começa uma frase contando algo sobre uma personagem e a termina dizendo que ela morreu de uma forma horrível. E isso é totalmente inesperado. Eu gostei e não acho que seja uma pegadinha do autor do tipo “ah, estou fazendo você gostar do personagem para depois matá-lo”. Nós nunca estamos realmente preparados para a morte, nunca sabemos quando vamos sofrer um acidente ou vamos receber uma notícia ruim. O dia pode começar bem e acabar mal e a forma de escrita do autor me remeteu a essa imprevisibilidade da vida.

O livro tem esse tom do começo ao fim e acho que por isso fiquei bem surpresa e chateada com a situação que fecha a história. Mas claro, não vou contar.

O outro motivo que me fez gostar do livro é que, apesar de ser bem pequeno, tem 208 páginas, ele conta muitas histórias diferentes. Na segunda parte, que se chama “Timoleon Vieta volta para casa”, o cachorro, com o objetivo de voltar para casa, acaba cruzando a vida de outras pessoas e cada um desses encontros é explorado pelo autor.

Mas essas pequenas histórias não são nada superficiais. Com, não sei, apenas quatro páginas de história, eu já fiquei envolvida com os personagens e com aquele novo ambiente que foi apresentado. Achei que isso trouxe outras dimensões para o livro e faz com que ele seja bem maior do que realmente é.

A capa é linda e dentro tem algumas ilustrações do artista Vien Thuc, que não foram feitas especialmente para o livro, mas casaram muito bem na história.

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Enfim, eu acabei de ler o livro nessa manhã e queria aproveitar que essas impressões estão frescas e deixar a recomendação para vocês! E também mandar um super obrigada para a Thamires, do Lunettes, porque foi presente dela. Ganhar livro é ótimo, mas ganhar livro bom é maravilhoso! <3

E vocês? Me contem o que andam lendo de bom!

*

Timoleon Vieta volta para casa |Dan Rhodes | 208 páginas | Editora Rocco | 2005