Eu não sei o que fazer da vida e tá tudo bem

Eu venho tentando escrever um post com o título ‘Sobre ter 25 anos e não saber o que fazer da vida’. Num primeiro estágio, não conseguia terminar de escrever porque o tema é complexo. Num segundo estágio, mais recente, me senti boba demais. Parecia que eu tentava me justificar e, na boa, não tenho que provar nada pra ninguém.

Então, comecei a escrever um segundo post sobre essa bomba de ansiedade que os tempos atuais criam em nós que não sabemos o que fazer da vida, dizendo que temos que ser empreendedores, que somos a geração y-sei-lá-o-que, que temos todas as ferramentas, que temos que descobrir o que a gente ama e fazer isso para o resto da vida e etc e tals.

Resultado: estou no primeiro estágio desse segundo post, o tema é muito complexo e fico dando voltas e voltas. Acho que vou guardar tudo o que escrevo e mostrar um dia para meu futuro analista e ver se o que ele acha.

Talvez algum dia eu termine de escrever e compartilhe por aqui, mas por enquanto vou resumir as ideias e dizer: tá tudo bem não saber o que fazer da vida. Não precisamos provar nada mesmo pra ninguém, não precisamos transformar as coisas que a gente ama em trabalho e não precisamos deixar de fazê-las, não somos obrigados a responder a pergunta ‘e agora, o que você vai fazer?’, não podemos nos sentir mal em ter um trabalho que não é considerado glamouroso, não podemos comparar nossa vida com a de outras pessoas. Mas o principal: não faz mal não ter respostas imediatas, não faz mal ter dúvidas e não saber pra onde ir.

Eu não sei pra onde eu tô indo e tenho dito.

(Leandro e Leonardo resumiram bem essa situação na música Um Sonhador. Não tô de graça, ouve lá!)

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*a ilustração é do artista Masako Kubo.

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24 comentários sobre “Eu não sei o que fazer da vida e tá tudo bem

  1. Seu post me lembrou quando a gente vai preencher um formulário qualquer e lá está perguntando “profissão”. Não basta ter que ter uma profissão, é melhor ter uma única e bem definida profissão. Pela lógica atual parece que se você não consegue definir seu trabalho em uma ou duas palavras é porque está desempregado(a).

  2. O melhor da vida é a capacidade que ela tem de nos permitir começar do zero e criar uma realidade nova se a gente quiser. Quando não sabemos o que fazer aí é que somos livres pra ser ou fazer qualquer coisa! Não é fascinante esse horizonte cheio de oportunidades?! E também acho que são nesses momentos críticos que a nossa história gira 360 graus e descobrimos coisas incríveis sobre nós! Eu tô nesse momento também, no começo fiquei meio agoniado, mas agora me sinto ótimo!

  3. amém.

    e é louco viu. eu paro pra pensar em todas as coisas que eu já quis ser e de como mudei de sonhos tantas vezes. no fim eu curto todas essas mutações. não consigo pirar na ideia de que eu tenho que decidir algo pra minha vida inteira agora ou será tarde demais. e se amanhã eu não quiser mais isso? sei lá, é como uma tatuagem. você pode passar anos achando que aquele é o desenho perfeito e depois pensar ~mas que merda~ só que porra, aquilo ali representou uma fase e valeu alguma coisa né? simbora aproveitar cada fase, cada um a sua maneira. tá tudo bem ser assim, tá tudo bem ser o que quiser ♥

  4. Carol, vamos dar as mãos e sair pro mundo!
    Você expressou exatamente o que eu sinto e penso! Nada de comparações com os outros, muitas experiências novas e dúvidas: é isso que devemos ter na vida. E tá tudo bem assim!
    Beijos!

  5. eu também não sei o que fazer da vida e todos os dias mentalizo que isso está tudo bem, que logo eu me encontro e as coisas se encaixam. Só que a cobrança por parte da família é a pior e mais pesada do mundo ):

  6. Tô quebrando a cabeça pra fazer um comentário interessante sobre isso (não repetindo tudo que já conversamos sobre o assunto), mas é difícil mesmo. Imagina a dificuldade de escrever um texto inteiro então. Talvez um texto sobre trabalho, um sobre vida pessoal, um sobre família, etc. seja uma ideia melhor. Era mais fácil antigamente. As pessoas tinham menos opção. Com a minha idade meu pai já era casado. Não tinha essa história de fazer o que ama, era fazer ou morrer. Essa história de amor veio com a nossa geração.
    E sobre esse papo de geração x, y, z… quero que todas se lasquem. Escolhi ser da geração beat. Eu não faço 10% do que eles fizeram, mas é a intenção que conta.

  7. Eu vejo MUITO problema numa sociedade em que as pessoas são definidas pelas suas profissões. Isso me incomoda demais. Essa cobrança de trabalhar APENAS com o que “se ama” também é uma das teorias mais cruéis que surgiram nos últimos tempos. A gente não TEM que fazer nada, não TEM que se encaixar em nenhum padrão, não TEM que fazer nada que a gente não queira e, principalmente, não TEM que ter certezas universais. Tamo junto Carol! ;)

  8. Carol, vem pra cá, abrimos um vinho e passamos a tarde bebendo, fofocando e assistindo Sex and the City. Então, eu sei bem como funciona isso, e levando em questão os comentários do povo que passou por aqui, essa falta de saber o que fazer da vida é um sentimento muito mais comum do que parece né? E como gera um sentimento de desespero, as vzs parece que todas as pessoas sabem o que estão fazendo, gostam e tem um futuro, exceto nós. Engano nosso. Tá tudo bem não saber, tá tudo bem tentar todas as possibilidades. Não é justamente o “mote” da nossa geração? Ter tantas opções e que justamente por isso, acabamos escolhendo algo? Nos deixem em paz pra experimentar tudo, pra tentar e testar a vontade. E ainda assim ficar em dúvida. Essa é a graça. Beijo!!!

    • Kaaa, meu sonho é tomar um vinho com você, juro! hahaha Temos tanto pra conversar!
      Mas enfim, é, esse parece ser meio que um sentimento que tá rolando agora… Não sei se sempre existiu ou se é algo do nosso tempo, mas tá aí! E é bem isso que você falou, as vezes a impressão é que tudo tá super ok para os outros e a gente fica aqui se descabelando. Mas na verdade, os outros estão sentindo a mesma coisa que a gente. A Jout Jout tem um vídeo chamado Tá todo mundo mal que é ótimo, fala bem sobre isso!

  9. Esse teu post foi muito amorzinho. Adorei! É bem o que eu tô sentindo agora, essa coisa de não saber o que fazer da vida e ficar questionando como tudo vai ser no futuro com o resultado das minhas escolhas… toda essa complexidade e indecisão que não somos obrigados a sentir, mas que sempre nos pegamos pensando.
    Beijo!

  10. Nossa, falou tudo!
    E relaxa, eu tenho 29 e ainda não descobri o que quero fazer da vida. E tá tudo bem! Não acho que a gente deve se apegar a sonhos imensos, nem às expectativas dos outros em relação a nós, nem a comparar nossa vida e nossas conquistas com as de outras pessoas. Decidi me dedicar a viver cada dia e tentar fazer sempre o meu melhor, mas sem ficar louca com isso.
    Beijo

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