Resenha | Timoleon Vieta volta para casa

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Cockroft é um velho compositor/escritor que vive na região da Toscana, na Itália, com seu companheiro vira-lata Timoleon Vieta. Além de passar os dias lembrando dos seus poucos tempos de glória, Cockroft tinha como diversão – e também como motivo para afastar a solidão – convidar jovens garotos que conhecia pelos bares da região para o visitarem e ficarem o tempo que quisessem em sua casa em troca de favores sexuais.

Essa estratégia nunca havia sido bem sucedida, mas um dia aparece em sua porta um cara bonito e misterioso que se identificou como o Bósnio. Cockroft ficou louco com o novo visitante e embora o jovem não desse muita bola para ele, era ótimo ter uma companhia. Só tinha um problema: o Bósnio e Timoleon Vieta se odiavam.

A situação entre os dois ficou tensa, o Bósnio não suportava o cachorro e um dia disse para Cockroft que iria embora. O velho ficou enlouquecido, não queria ter que escolher, mas não suportava a ideia de ser abandonado de novo. Então, cedendo à pressão do Bósnio, os dois colocaram o cachorro no carro, dirigiram até o Coliseu em Roma e o deixaram lá, na rua.

É com essa história que o livro começa. A parte um se chama “Timoleon Vieta” e a parte dois “Timoleon Vieta volta para casa”.

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Por que eu gostei do livro?

Gostei principalmente por causa do estilo de escrita do autor, Dan Rhodes. É um texto bem calmo e linear. Quero dizer com isso que, por exemplo, se o livro na verdade fosse lido em voz alta pelo autor, acho que não haveria muitas variações no tom. Ele consegue falar de algo bonito e feliz com o mesmo tom que fala de uma tragédia.

Então, ele começa uma frase contando algo sobre uma personagem e a termina dizendo que ela morreu de uma forma horrível. E isso é totalmente inesperado. Eu gostei e não acho que seja uma pegadinha do autor do tipo “ah, estou fazendo você gostar do personagem para depois matá-lo”. Nós nunca estamos realmente preparados para a morte, nunca sabemos quando vamos sofrer um acidente ou vamos receber uma notícia ruim. O dia pode começar bem e acabar mal e a forma de escrita do autor me remeteu a essa imprevisibilidade da vida.

O livro tem esse tom do começo ao fim e acho que por isso fiquei bem surpresa e chateada com a situação que fecha a história. Mas claro, não vou contar.

O outro motivo que me fez gostar do livro é que, apesar de ser bem pequeno, tem 208 páginas, ele conta muitas histórias diferentes. Na segunda parte, que se chama “Timoleon Vieta volta para casa”, o cachorro, com o objetivo de voltar para casa, acaba cruzando a vida de outras pessoas e cada um desses encontros é explorado pelo autor.

Mas essas pequenas histórias não são nada superficiais. Com, não sei, apenas quatro páginas de história, eu já fiquei envolvida com os personagens e com aquele novo ambiente que foi apresentado. Achei que isso trouxe outras dimensões para o livro e faz com que ele seja bem maior do que realmente é.

A capa é linda e dentro tem algumas ilustrações do artista Vien Thuc, que não foram feitas especialmente para o livro, mas casaram muito bem na história.

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Enfim, eu acabei de ler o livro nessa manhã e queria aproveitar que essas impressões estão frescas e deixar a recomendação para vocês! E também mandar um super obrigada para a Thamires, do Lunettes, porque foi presente dela. Ganhar livro é ótimo, mas ganhar livro bom é maravilhoso! <3

E vocês? Me contem o que andam lendo de bom!

*

Timoleon Vieta volta para casa |Dan Rhodes | 208 páginas | Editora Rocco | 2005

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5 comentários sobre “Resenha | Timoleon Vieta volta para casa

  1. Adorei a capa e toda a parte gráfica que você mostrou, as palavras parecem ser boas também! A Lunnetes que te deu, ele é gente boa e parece ter um excelente bom gosto!

    Você fala pouco de livros por aqui, achei legal!

    Bjos

  2. Nunca tinha ouvido falar desse livro na vida. Parece muito interessante, o trabalho gráfico e tudo mais. A orelha diz que ele foi publicado na revista Granta? Olha há controvérsias quanto à credibilidade da revista (cada um vai dizer uma coisa), eu aprovo, principalmente depois da seleção de autores jovens brasileiros que eles fizeram. Se você quiser ler autores brasileiros contemporâneos, a lista da Granta é uma boa base. Vou procurar sobre esse autor.

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