Em cartaz #21: No

Estava na dúvida de qual cartaz postar hoje, mas todo esse clima de eleição me fez lembrar do No, um filme de 2012 dirigido pelo chileno Pablo Larraín.

Em 1988, o Chile tem que decidir, através de um referendo a permanência de Augusto Pinochet no governo, depois de 15 anos de ditadura. Pela segunda vez, o próprio Pinochet abriu o referendo, e a população deveria votar sim ou não, o que poderia dar a ele mais oito anos governando o país. A campanha do No contrata um jovem publicitário exilado do Chile, Rene Saavedra (Gael García Bernal), para pensar em novas estratégias e tomar a frente das propagandas.

O filme é baseado em uma peça do escritor chileno Antonio Skármeta, mas a história é real. A campanha ousada do No venceu e Pinochet finalmente saiu do poder.

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Os cartazes são bonitos e chamativos! Quando vi nos cinemas aqui de JF lembro que chamaram muito minha atenção (nem foi por causa do Gael, gente, nem foi… haha). Mas as cores tem uma razão de estarem aí, elas remetem à verdadeira identidade da propaganda criada por Rene. O primeiro cartaz é uma reprodução perfeita da arte usada de fato na campanha. Encontrei esse vídeo com as propagandas reais do Si e do No, se vocês quiserem ver.

O arco-íris tem muitas significações. Para mim, nesse contexto do filme, me lembra esperança, uma boa mudança repentina, um final feliz. Achei muito bom como eles usaram as cores em toda a extensão dos cartazes, com esse efeito de degradê entre elas. E acabou criando um contraste interessante com a imagem do Gael, que está sério e tenso.

Com exceção do último cartaz – que ficou com super cara de drama familiar, na minha opinião – essa ideia de brincar com as cores aparece em todos os outros. Ficou com uma cara meio hipster, talvez, mas achei que combinam com o filme e com a campanha do No.

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Meus preferidos, sem dúvida, são os dois primeiros. Claro que ver a cara do Gael é ótimo, mas achei mais clean e mais anos 80 o primeiro cartaz e talvez eu goste mais dele no geral. Pra quem não conhece a história do Chile e não sabe do que se trata, acho que acaba sendo mais instigante também.

Por falar nisso, vale contar que o filme foi gravado com U-matic, um tipo de fita de vídeo usada naquela época, então as cores e textura da imagem são reais e parecem realmente produzido nos anos 80. Em vários momentos do filme foram inseridas imagens de arquivo da campanha e dos protestos da época, então dá pra notar como as imagens se mesclam bem.

Vou deixar o trailer aqui pra quem não conhece o filme. Acho que é um bom momento para assisti-lo. Embora – pelo menos no meu círculo de convivência – parece reinar um clima de desilusão nessas eleições, um desânimo geral, uma falta de esperança, temos alguns episódios na história que nos lembram que as coisas podem mudar e ser diferentes. Fica a recomendação!

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9 comentários sobre “Em cartaz #21: No

  1. Eu vi este filme no Telecine acho que no inicio do ano, gostei bastante, acho que o Gael recuperou as boas atuações! Ele fez um papel medíocre em Cartas para Julieta. Conflitos da Águas eu também não gostei! Mas em Planeta Solitário ele volta a atuar bem.
    Já os cartazes eu achei tudo muito igual, faltou um pouco de criatividade.

    Bjos

  2. Carol, eu fui pro cinema sem saber muito da sinopse, mas otimista de que seria bom, já que Gael estrela muito bem dramas e filmes de contexto político, Che <3 (comédias românticas hollywoodianas simplesmente não combinam como ele né?). Sai do cinema realizada, pois achei incrível a história e o filme em si. Gosto muito de como aborda a maneira como as pessoas recebem as coisas. Quando a oposição mostrava os horrores cometidos pela ditadura, a população nem cogitava em votar no Não, mas assim que a campanha muda e passa a mostrar coisas felizes e coloridas, passa a ter maior aceitação. Complicado, né? :***

  3. Eu dormi quando tentei ver esse filme a primeira vez (não,eu tava cansada no dia mesmo), e desde então tô doida pra ver de novo. Adoro Gael e adoro a capa desse filme (e todas as suas versões )

    Um beijo,
    Re

  4. No é um filme sensacional. Assisti ele em uma aula na faculdade e gostei muito. O Gael trabalhou muito bem (pra variar) e elevou ainda mais o nível da produção. Depois que vi No, guardei pra sempre na cabeça o jingle da campanha que eles produzem hahaha.

    Enfim, só tinha visto dois dos cartazes que mostrou no post e adorei os outros. As cores e a fonte bold do No formam um constraste bem legal.

    Beijos

  5. Não sei porque ainda não vi esse filme. Tá no meu computador e, sempre que eu paro pra ver um filme, olho pro arquivo dele, mas escolho outro. Desse fim de semana não passa.
    Li um conto semiautobiográfico do Roberto Bolaño que se passa durante a ditadura do Pinochet. A maior parte da obra dele acontece nesse período, mas esse conto especificamente fala do tempo em que o autor foi preso e, da cela, pôde ouvir outros prisioneiros sendo torturados. Ele foi solto porque era amigo do carcereiro, do contrário teria o mesmo destino. Ótimo escritor, caso você não conheça.

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