Miss Violence | Resenha

Eu acredito muito em sinais. Um dia vi o cartaz de um filme chamado Miss Violence. Achei bonito e perturbador. Alguns dias depois, acho que na mesma semana, o Rodrigo, um dos meus melhores amigos me diz que assistiu Miss Violence e achava que eu ia gostar, que era muito bom. Sinal recebido.

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O começo do filme nos mostra uma família feliz comemorando o aniversário de 11 anos de Angeliki. Todos estão felizes, tiram fotos, dançam, até que Angeliki vai até a sacada do apartamento e, com um sorriso, de joga.

Apesar da investigação da polícia e do serviço social, o clima na família é de tentar esquecer, uma insistência velada de que foi um acidente.

(Tentei não contar muitos detalhes da história, gente, mas alguns pequenos spoilers acabaram escapando. Então pulem lá para o trailer se não quiserem saber!)

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Começamos, então, a partir daí, a descobrir quem são aquelas pessoas, aquela família e o que há por trás daquela morte. O ambiente é incômodo e um pouco confuso. No início do filme, para mim, foi um pouco difícil entender quais os parentescos entre aquelas pessoas.

O filme é bem silencioso e calmo. Os dias parecem se arrastar e a impressão que tive é que eles não saem de casa, a não ser as crianças para ir a escola ou então apenas quando levados em algum lugar pelo avô. As imagens são acinzentadas, com pouca cor e pouca saturação. Isso tudo condiz bastante com a situação de tensão da família.

Por trás dos olhares e sorrisos daquelas mulheres, qualquer um consegue dizer que há algo de errado. Num primeiro momento, notamos a força do poder patriarcal. É o avô que dita as regras, que comanda, que vigia, que pune. Ele diz que horas as crianças devem brincar, ainda que elas não queiram, ele diz quando devem tomar banho, quando devem sair. O controle é tanto que ele chega a pesar a quantidade é de cereal que resta no pacote no café da manhã.

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Se o filme parasse aí e fosse apenas sobre o poder patriarcal naquela família, já seria um excelente filme. É péssimo, chocante e triste ver como as pessoas podem se subordinar aquela situação e mais triste ainda saber que aquilo pode não ser tão longe da realidade ainda hoje.

Mas não. As máscaras continuam caindo e vamos descobrindo que há algo ainda pior, absurdo, sinistro por trás disso tudo. E que, talvez, a violência trará novamente uma solução para aquela situação.

Eu estaria sendo muito injusta com o filme se contasse mais qualquer outro detalhe. Ele é a descoberta desse segredo da família e qualquer coisa que eu diga pode estragar tudo. Deixo vocês, então, com o trailer, que já é tão perturbador por si só, e com um depoimento do diretor sobre o filme que eu achei muito pertinente: “I always wonder who has the power: the one who strikes or the one who feels the pain? The harshest violence is that of silence. Of the unspoken. Of the regularity that covers up every emotional void created by the exercise of power”.

Miss Violence é um filme grego, dirigido por Alexandro Avranas e lançado no ano passado. No site oficial vocês podem encontrar as informações completas.

É bom, hein, gente, anotem a dica! o/

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18 comentários sobre “Miss Violence | Resenha

  1. Sabia que você ia gostar. Estou para te falar que foi um dos melhores filmes, ou até o melhor filme, que eu vi em tempos. O filme tem essa aura de incômodo que é reforçada pela língua tão diferente da nossa. Mais cinema grego, por favor!

  2. Tinha visto o trailer e o poster desse filme no Maldito Vivant e só pela sinopse, já tinha me interessado. Agora lendo sua crítica tive a impressão de me envolver com a história – se só um post já fez isso, imagina o filme? Só não sei se vai passar nos cinemas daqui, mas vou procurar assistir. Como sempre, é uma ótima dica!

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

  3. Acho que nunca vi um filme grego. Esse vai ser o primeiro, já estou baixando. O cartaz é perfeito pra chamar atenção.
    Falando em filmes quietos, já viu O Cavalo de Turim, do Béla Tarr? Se passa numa fazenda isolada no interior da Romênia. A maior parte do filme é feita com só dois atores (representando pai e filha), praticamente sem diálogo ou música ou sons, com exceção do vento. Muito interessante, apesar disso.

  4. Nossa Carol esse filme mexeu tanto comigo e eu ainda nem o vi. Ainda mais que minha ex chefe no museu perdeu uma irmã numa situação como essa e vivemos lá na administração o luto dela…juro que fiquei interessada pelo filme, pensei em buscar, mas acho que eu teria que me curar de algumas coisas quanto a isso, não sei..

    E eu fiquei super lisonjeada sobre você aprender sobre Moda comigo.. tão bacana ver que consigo transmitir de uma maneira bacana e entendível. to planejando em falar mais sobre fotografia de Moda e também sobre livros de Moda <3

  5. Pingback: Coisas aleatórias numa manhã de sábado | Garotas Rosa Choque Garotas Rosa Choque

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