Em cartaz #14: O Gosto do Chá

Nas segundas, como vocês já sabem, gosto de dar destaque para os cartazes de filmes. Mas tem tempos que não me surpreendo tanto com um filme como na semana passada e estou muito ansiosa para falar dele para vocês!

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Fuçando nas listas de filmes feitas pelos usuários do Filmow, me deparei com esse chamado O Gosto do Chá (Cha no aji). dirigido por Katsuhito Ishii e lançado em 2005. Claro, o título me pegou de cara e eu coloquei naquela lista do “cineclube” que contei para vocês sem nem pensar duas vezes.

Ao assistir o trailer, me pareceu que ele seria um filme meio louco e surreal. De fato é. Mas é bem mais do que só isso.

A história é sobre a família Haruno. Nobuo, o pai, é um hipnoterapeuta e ensina seu filho Hajime a jogar Go. O menino está com os hormônios à flor da pele e na fase de sofrer de amor. A mãe, Yoshiko, é desenhista e está desenvolvendo um anime. A filha mais nova, Sachiko, é perturbada por uma versão gigantesca dela mesma, que fica acompanhando-a aonde quer que esteja. Na casa também estão o avô, Akira, um senhor bem excêntrico que parece viver no mundo das nuvens, e o tio Ayano, um engenheiro de som que está de visitas.

Por que assistir O Gosto do Chá? Porque é simplesmente um filme muito gostoso de assistir. Eu, particularmente, me diverti, achei engraçado na maior parte do tempo. Mas não engraçado pastelão. Engraçado porque os personagens são muito excêntricos e a forma como eles lidam com as coisas e convivem em casa é bem peculiar.

O filme é uma grande sequências de esquetes de todos os personagens. Ora parecendo que não tem nada a ver entre si, ora mostrando como na verdade estão entrelaçadas. E quando eu falo em excentricidade, não estou dizendo que coisas espetaculares e forma do normal acontecem nessa história. Muito pelo contrário.

O filme tem um clima meio preguiçoso, meio rotineiro. Ele é tão cotidiano que os problemas que parecem tão simples à primeira vista, tomam uma outra dimensão na vida dos personagens. São esses pequenos detalhes, pequenas situações que as vezes tiram a gente do conforto que nos levam pra frente. E isso já é coisa suficiente!

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A pequena Sachiko, por exemplo, acredita que só se livrará da sua versão giganta quando ela conseguir dar uma pirueta numa barra – tipo de ginástica olímpica, sabe? Então, todos os dias, ela vai até o lugar onde fica a barra e treina incessantemente. Ela chegou a essa conclusão depois de ouvir uma história contada pelo tio. Hajime, apaixonado por uma aluna nova da escola, faz das tripas o coração para estar sempre perto dela.

Ao mesmo tempo, outros personagens vivem outros conflitos mais intensos, como a mãe, que está tentando manter sua carreira como desenhista, e o tio, que reencontra – ao que parece – uma antiga namorada e descobre que ela vai se casar com outra pessoa.

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Não poderia deixar de destacar o avô Akira. Sem dúvidas, meu personagem favorito. Ele é meio maluquinho e meio irritante, eu diria, e tem uma relação forte com a música. Ele afina a voz o tempo inteiro com um diapasão e está sempre cantando. Se você não vai ver o filme, assista pelo menos essas duas cenas dele pra vocês entenderem – ou não – do que eu estou falando! Ô musiquinhas grudentas, viu?


O filme também não é muito explicativo. Tem alguns personagens que só aparecem uma vez, outros que só vamos entender quem são no decorrer do filme… E mesmo sobre os personagens principais não há detalhamento profundo. O que sabemos é o que vemos no filme – e o que imaginamos, claro. Talvez seja isso que permita nos identificar com várias situações que eles vivem, mesmo com toda a psicodelia do filme e mesmo com o distanciamento cultural.

Agora, sobre os cartazes, não encontrei muitos. Todos acabaram sendo uma variação do mesmo. Mas no fundo, gostei bastante. Para mim, depois de ter assistido, ele parece um retrato perfeito do filme. E talvez essa seja uma boa forma de falar sobre o filme: o retrato da vida da família Haruno.

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Como vocês podem notar, estou apaixonada pelo filme! Sei que muitos de vocês gostam de filmes asiáticos e queria aproveitar essa empolgação para indicar O Gosto do Chá. Tenho certeza que não vão se arrepender!

Boa semana, gente! o/

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12 comentários sobre “Em cartaz #14: O Gosto do Chá

  1. Oi Carol! Em primeiro lugar, adorei a ideia do CineClub. Eu acho difícil aplicar ‘com outra pessoa’ no meu dia a dia por causa da falta de tempo (sério =(), mas por exemplo, eu e meu namorado SEMPRE demoramos para escolher filmes. Podemos manifestar que queremos ver o filme X, mas semana seguinte já esquecemos! Ou então eu quero ver o filme Y, ele quer ver o Z e a gente acaba não vendo nenhum dos dois. Vou conversar com ele para fazer uma listinha, talvez não fique tão elaborada com a de vocês, mas pelo menos vai fazer a gente assistir e conhecer mais filmes!

    Sobre O Gosto do Chá, para falar a verdade eu não conheço nada do cinema japonês. Acho que nem vi filme de terror hehehe. Acho que por isso que eu gosto do seu blog, porque acabo conhecendo novos filmes também. O Gosto do Chá, no caso, me ganhou logo na descrição dos personagens: parece ser um filme que nos conquista principalmente por esse ‘ar cotidiano’, essa identificação que é até difícil de encontrar nos dias de hoje. To querendo colocar esse no meu CineClub já! XD

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

    • Pois é, acho que pode ser uma boa maneira pra organizar os filmes que temos vontade de ver. Principalmente porque podemos variar os estilos pra não ficar sempre na mesma coisa, né?
      Olha, vou ser suspeita pra falar agora, né? Mas eu vou recomendar O Gosto do Chá pra todo mundo hahaha E como é um filme dividido em esquetes, a gente acaba se afeiçoando a alguns personagens, então acho difícil que alguém não goste dele de jeito nenhum. Se assistir, depois conta o que achou!

      :*

  2. olha fiquei bem cruiosa com o filme quando vi essas imagens surrealistas.. adoro essas colagens assim e sempre fico boba como o cinema asiático faz isso com tanta facilidade. vi pouca coisa de cinema asiático, e engraçado q o outro filme q vi tb é assim nesse “Esquema de esquetes”.

    achei legal o nome do filme pq pelo q vc disse parece ter uma relação direta com cotidiano e intimidade né..Acho que para nós um dos maiores desafios de ver os filmes deles é ultrapassar a barreira da cultura muito desconhecida pra gente, nunca vamos ver um filme e entender mesmo sem pesquisar depois, sem entender os meandros de hábitos e conflitos que não fazem parte do nosso dia a dia, ou que as vezes até fazem, mas são adaptados por eles.

    No filme A Visitante Francesa tem muito disso, eu vi o filme umas duas vezes e algumas coisas passaram batido, mas quando pesquisei pra montar o trabalho percebi o quanto enriqueceu a história eu ter entendido mais sobre o país, a ilha onde é gravado, os habitos e conflitos q ele queria mostrar no filme e eu nem tinha me tocado.

    gente, falei pra caraca hahahahaha beeeijos, carol!

  3. Uau, muito obrigada pela dica de filme, ando precisando, hahaha!
    Pelo que você descreveu ele parece ter uma natureza meio experimental e gosto disso. Eu também gosto bastante de filmes japoneses, então vou gostar desse :)
    Abraços!

  4. Quando vi esse filme na lista do “cineclub”, fiquei interessada, por causa do nome ^^
    Achei a primeira musica mais grudenda, mas gostei mesmo foi da performance deles!! ahah adorei a coregroafia!!

  5. Pingback: Os melhores filmes e as decepções de 2014! | Uma cadeira, por favor!

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