O Serviço de Entregas da Kiki | Resenha

Quer me ver nunca rejeitar um filme, é só indicar algum do Hayao Miyazaki. Desde que assisti A Viagem de Chihiro quando chegou ao cinema, me apaixonei pelas produções do Studio Ghibli. Mas são muitas e ainda vou demorar para conseguir ver tudo.

Esse fim de semana assisti O Serviço de Entregas da Kiki e não poderia deixar passar em branco. Assim como todos os outros que já assisti do Studio, o filme é bonito e calmo. Nada infantil ou superficial. Muito pelo contrário, acho que através de uma história simples, ele consegue tocar em questões bem caras como amadurecimento, autoconsciência, amizade e o peso das decisões.

Kiki é uma adolescente bruxa que vive com sua família. Como de costume, quando as bruxinhas completam 13 anos, é hora de partirem para uma aventura sozinhas. Elas terão que procurar uma nova cidade, um novo local para viver e se virarem sem a ajuda da família. Em companhia de seu gatinho sincero, Jiji, a menina pega sua vassoura e sai por aí. Ela acaba encontrando uma cidade litorânea, como tanto queria. E aí a história começa.

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Tem quatro coisas que me chamaram atenção no filme.

A primeira delas é que o fato de Kiki ser uma bruxa não a torna especial frente aos outros que não são. Ela não é A super heroína do filme que vencerá tudo e todos. Pelo contrário. Ela, na verdade, se decepciona com a recepção na nova cidade e tem que aprender a viver naquele lugar e a obedecer às novas regras impostas ali. É realmente uma questão de adaptação, amadurecimento e responsabilidade.

A segunda coisa que achei interessante talvez explique um pouco isso que acabei de dizer. Essa coisa de “ser bruxa” não é explicada no filme. A mãe e a avó de Kiki também são bruxas, mas nem todos são. E não é como em Harry Potter, em que a magia é algo secreto. Na cidade as pessoas se espantam com Kiki, pelo motivo de que talvez não haviam visto uma bruxa em muito tempo, mas não parece ser algo extraordinário. E acho bom que o filme não tenha se focado nesse ponto. Ficou uma informação em suspenso, mas que acabei esquecendo durante o filme.

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Outra questão interessante é que não há um vilão daquele tipo que estamos acostumados. Alguém muito mau que quer destruir o mocinho(a). O vilão é a própria Kiki. São as barreiras e limites que ela tem que vencer para se virar no novo lugar e se relacionar com as pessoas. Acho que isso está presente em outros filmes do Miyazaki e talvez tenha a ver com a própria cultura oriental, mas não sou conhecedora disso pra dizer. Mas o fato de que não tenha esse ser malvado e a luta clichê bem x mau, deixa o filme mais leve. Não mais bobo ou infantil, mais leve. Ao mesmo tempo, pra mim, o vilão é ainda mais realista, já que são coisas que podemos nos identificar facilmente.

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Por último, mas não menos importante, queria falar do gatinho Jiji. Já assisti muitos filmes com gatos como personagens, mas acho que o Jiji foi o melhor que já vi até hoje! Eles realmente conseguiram colocar nele essa personalidade rabugenta e autocentrada que os gatos (eu imagino haha) tem. Ele não se mostra completamente feliz com as coisas, sempre sugere algo diferente, despreza os outros gatos que vê… Parece muito com vários gatos que eu conheço!

Bom, acho que deu pra notar que eu gostei do filme, né? Tentei encontrar um trailer pra colocar aqui, mas só tem sem legendas ou então na versão americana, que é muito sem graça. Eles dão um tom completamente diferente pra coisa. Inclusive, nós assistimos o filme com uma legenda que foi feita a partir da versão dublada em inglês e tem vários diálogos a mais, acreditam? Coisas totalmente desnecessárias e explicativas. Fiquei chocada com isso… Procurem pela versão original!

Espero que tenham curtido a dica!

Boa semana, gente!

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7 comentários sobre “O Serviço de Entregas da Kiki | Resenha

  1. Kiki é mesmo genial, fico feliz que tenha gostado, do Hayao é o meu favorito. E concordo com os pontos que você tocou. As vezes fico na dúvida se o Jiji volta a falar ou não, ele representa muito esse amadurecer.
    Você viu os créditos, não sei se foi traduzido, mas aparece um postal que ela manda para seus pais falando como gostou da nova cidade e como ela está confiante.
    Adorei o post…bjos

  2. Eu acho genial isso dos filmes orientais (animação ou não). Eles não se esforçam em inserir uma “moral da história” no final, a gente vai percebendo as nuances e as questões do filme de acordo com a nosso própria sensibilidade. Já quero assistir Carol!

  3. Estudo Ghibli. <3
    Um dos melhores estúdios de animação évar. haha
    Outro que eu curto é o Aniplex e o A-1. Que, por sinal, foram os que fizeram a ultima animação japonesa em forma de filme que eu vi, chamada Saint Onii-san. É uma história incrível sobre as férias que Jesus e Buda resolvem tirar e vão pro Japão dos anos 2000.
    Outra série de filmes que eu gosto muito é Kara no Kyoukai, já ouviu falar? É genial! Melhor trilha sonora de todas!

    Beijos.

  4. Hey Carol!

    Eu não gostei de A Viagem de Chihiro mas, por recomendação do Maldito Vivant, acabei vendo Kiki no mesmo dia que publiquei minha crítica. E adorei!!!

    Não achei um filme ‘grandioso’ como seria considerado A Viagem de Chihiro, mas justamente pela simplicidade que gostei tanto dessa obra. Muito agradável de se ver, o filme é bem mais próximo da realidade e é muito fácil se identificar com a Kiki, que apesar de uma bruxinha, enfrenta os mesmos problemas que a gente enfrenta quando parte para a ‘vida adulta’!

    Eu ia fazer uma resenha também, mas amei a sua e vou indicar <3

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

  5. Olá. Lendo esse seu post não tive como n ter a impressão de q a arte tem o poder de conectar pessoas distantes e desconhecidas sob a mesma emoção.
    Inexplicavelmente, os filmes do Miyazaki exercem um fascínio sobre mim, já há alguns anos. E, tal como vc, “Chiriro”, talvez por conta do Oscar e tal, foi o filme q me levou “pra dentro do estúdio Ghibli”.
    Com relação a “Kiki”, fiquei encantado com a leveza e graciosidade com as quais vc conduz seu texto acerca do filme, pra mim, algo como q à mesma proporção q o Miyazaki conduz a arte dele.
    O texto é tocante e gostoso de ler, daria vontade de ver o filme, se já não o tivesse visto. Suas observações são todas mto pertinentes e vc sintetiza perfeitamente a ideia da animação.
    Miyazaki tem mesmo uma marcante delicadeza pra falar de temas tão… humanos!
    Com relação ao Jiji, senti q ele q é esnobado pelos outros gatos – e acha isso ultrajante! Tão humano tb.
    Não sei se vc já tem, mas a livraria Cultura já está no segundo volume de uma coleção exclusiva de filmes do Ghibli, em dvd e bluray – um primor.
    Gde abraço!
    Rafael Bravo.

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