Azul é a cor mais quente: Quadrinhos + filme

(Atenção, esse post tem spoilers!)

Sim, minha gente, eu assisti Azul é a cor mais quente/Blue is the warmest color/La vie d´Adele, como quiserem. Mais do que isso, também li os quadrinhos. Mas enfim, acho que antes preciso contar algumas coisas.

Cartazes e capas de livros me chamam MUITA atenção. Já comprei vários livros só por esse motivo, haha. Com Azul é a cor mais quente foi exatamente assim. Há bastante tempo, eu tinha visto na parte de ‘Estreia de filmes’ do Filmow o cartaz e o achei lindíssimo. Assisti o trailer e marquei como ‘Quero ver’. Mas confesso que me esqueci completamente dele.

Então, em dezembro ele bombou aqui na timeline. De repente, várias pessoas estavam compartilhando notícias sobre ele porque havia sido lançado aqui no Brasil e aí pensei: poxa, é aquele filme! Ele ganhou a Palma de Ouro, então, assim, deve ser bom mesmo. Diante de todo esse bafáfá e já sabendo das polêmicas cenas de sexo, pensei: esse filme jamais vai chegar em JF e, se chegar, será com cortes. Portanto, Dudu, muito escarafuncheiro, encontrou um arquivo torrent do filme! \o/

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Mas daí que, conversando com um amigo, o Matheus, sobre o filme, ele me contou que na verdade a história foi inspirada nos quadrinhos de mesmo nome de Julie Maroh. Eu já bastante mangás (e Turma da Mônica, haha) mas não tenho nenhuma experiência com outro estilo de histórias em quadrinhos. Então essa possibilidade me deixou interessada.

Foi realmente uma experiência nova e talvez isso tenha feito com que eu gostasse tanto. Quando alguém falava de quadrinhos pra mim eu já imaginava aqueles da Marvel, então quando me deparei com o traço desse achei muito diferente. Parece meio tosco – no bom sentido, Julie Maroh! – sem a intenção de ser perfeitinho e isso é legal. Fora o trabalho com as cores. Na verdade, com a cor azul. Ele tem algumas páginas coloridas, mas a maioria é em preto e branco, apenas com alguns detalhes destacados em azul.

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Bom, e daí que o livro não é tão grande, então quando terminei de ler o Dudu já estava com o filme pra gente ver. Eu juro que tentei, mas foi difícil não ficar comparando os dois o tempo todo. Eu não sou dessas que fica julgando que um é melhor do que eu outro, que o filme estragou a história e mimimi. Pra mim são duas obras diferentes e, por causa disso, posso ou não gostar mais de uma delas.

No caso, gostei mais do filme. Na verdade, no final, antes dos créditos, aparece o título original – La vie d´Adele – e embaixo vem escrito capítulos 1 e 2, o que nos leva a pensar que ele se baseou apenas no início dos quadrinhos. De fato, o começo do filme é bem parecido mesmo, toda a história dela com os amigos na escola, com o namoradinho, até o momento em que ela conhece Emma.

No filme porém, as coisas descambam para um outro lado a partir do momento em que Adéle – nos quadrinhos, Clementine – vai morar com Emma. No livro há também um conflito de Adéle com os pais por causa da situação toda e é por isso que ela sai de casa. Lá também o lado ativista de Emma é bem explorado, ao contrário do lado artístico, como foi feito no filme. Pra mim, poderia ter sido mantidas as duas coisas, mas acho que seria muito pra trabalhar num filme (que teve 3 horas!). O final também é completamente diferente dos quadrinhos e muito bom, por sinal. Acho que gostei tanto justamente porque não é um final feliz. Em nenhum dos dois. Só que nos quadrinhos, Adéle/Clem morre. No filme, as duas não terminam juntas.

Gostei muito da adaptação do diretor porque justamente as situações que eu tinha achado mais forçadas nos quadrinhos não existem no filme. Toda a separação delas e o reencontro depois foi tratado de maneira muito sutil e bem realista. Acho que se Adéle tivesse morrido da doença que ela tem nos quadrinhos ia ser bem sem graça. Ele te faria gostar muito da personagem pra depois matá-la de um jeito super forçado. Sim, seria muito fácil de arrancar umas lágrimas, mas desculpa Julie Maroh, não é bem assim que as coisas funcionam.

Eu poderia falar de muitos outros aspectos do filme. (Inclusive, isso tudo que tô falando aqui é baseado apenas na minha experiência como leitora/espectadora. Não sei nada da produção do filme, do diretor com o nome complicado e etc) Mas essa coisa do final feliz é o que mais chamou atenção pra mim principalmente porque as críticas de quem não gostou do filme são em relação ao final. Pessoas não gostaram simplesmente porque ele não é feliz! Essa obsessão é uma coisa muito louca mesmo. Pra mim, o filme é lindo porque ele é uma história de amor que não deu certo. O que, nunca ouviu falar de uma? Foi brilhante, tão real, mais do que as cenas de sexo, haha!

Vamos lá, gente, vamos nos abrir pra finais menos previsíveis e mais parecidos com o final da nossa vida: desconhecido!

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7 comentários sobre “Azul é a cor mais quente: Quadrinhos + filme

  1. E eu esperta pra caramba que li tudo, menos a primeira parte que dizia que o texto continha spoilers? hahahha
    Estou com muita vontade de ver esse filme, mas acabei deixando passar…Ainda bem que você me lembrou.
    Eu tb não entendo a cisma que as pessoas tem com finais felizes. Eu acho irreversível, que é um filme super perturbador, incrível!

  2. Esse é o tal quadrinho que você comentou comigo, né? Que vontade de ler e assistir o filme! Também acho que essa coisa de fanboy mimimi não tá com nada, é como você disse, são obras diferentes. Gostei bastante do traço do quadrinho e de toda questão do azul. No mais, vou ter que ler/ver pra dar mais pitacos, mas adorei sua review :)

  3. Arghh, ainda vou ler os quadrinhos. Na vdd estava na Cultura dia desses e li até a parte que as duas fazem amor pela primeira vez, haha. Bem na hora precisei parar, pois a livraria estava fechando, tsc. Corri os olhos dos spoilers sobre o final dos quadrinhos, apesar de ser bem claro logo no início.
    Vi primeiro o filme. Assim como você, tinha visto há um tempão e já tava lá no meu filmow. Quando o cinema da cidade avisou que passaria, corri pra ver. Tava feliz por estar passando (adoro ir ao cinema), e não sabia de nada, o que me fez gostar ainda mais do filme. Só tinha visto um trailer que revela a cena da briga com a amiga estúpida da escola.
    E, tbm como você, eu amei o filme por parecer tão verdadeiro. Por ter semelhanças com a vida real, com um amor fortíssimo que não manteve as duas juntas. Na época, escrevi uma resenha também: http://alienando.com/2013/12/11/la-vie-dadele/ Se quiser, dá uma lida :)
    Adorei te encontrar. Gostei do teu cantinho <333
    Beijo!

  4. Pingback: Em cartaz #11: Azul é a cor mais quente | Uma cadeira, por favor!

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