Coisas aleatórias numa tarde de terça-feira

Pois é, quem é vivo sempre aparece, não é mesmo? E aqui estou eu com aqueles drops de novidades pra compensar o tempo em que estive longe…

1. Sinto falta de escrever no blog, gente, juro. Às vezes a vida dá aquelas voltas e somos tomados por outras situações… Mas estou aqui com vários meios posts escritos e uma lista de outros que (espero) ainda virão.

2. E a super novidade que eu tenho pra contar pra vocês é que sou universitária de novo! Quem acompanha o que escrevo aqui, sabe que estou envolvida com cinema&educação faz bastante tempo, sou apaixonada por literatura infantil, eu trabalho pra faculdade de Educação da universidade… Então tomei a decisão de fazer o Enem no ano passado pra tentar Pedagogia. Não fui chamada no primeiro semestre e já tinha até desistido um pouco da ideia. Eis que fui chamada agora pro segundo semestre! Foi uma surpresa e tanto. Eu realmente tinha zero esperanças de entrar…

Enfim, sinto que ganhei uma segunda chance e agora com mais vontade e um pouco mais de certeza do que eu quero fazer do que quando tinha 17 anos…

3. Eu já tinha compartilhado com vocês algumas fotos de um filme que gravamos no início do ano. Ele já tá quase pronto! E acabamos de gravar outro no mês passado. Ou seja, em breve vou ter dois curtas pra mostrar pra vocês! Estamos super produtivos esse ano, ao que parece!

É isso tudo, gente. Deixo vocês com a indicação de um banda que descobri que recentemente! Acho que quem me conhece um pouco mais vai saber porque gostei tanto… espero que curtam também. Até a próxima!

O menino que queria saber

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Miguel era uma menino que queria saber muitas coisas. A impressão que ele tinha é que todo mundo sabia as respostas, mas nem sempre queriam responder suas perguntas. Seus pais, a professora, o gato, o passarinho… todos sabiam tudo, menos ele. Até que Miguel um dia ficou sabendo da Máquina-que-sabe-tudo e resolveu ir atrás dela, que parecia ser a única solução para os seus problemas.

Spoiler inofensivo número 1: nós não sabemos exatamente o que ele quer saber.

Spoiler inofensivo número 2: o caminho pra chegar até a Máquina é muito mais interessante do que todo o resto.

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Só pra variar, esse é um daqueles livros infantis que servem super bem pra nós adultos.

Quem nunca esteve com uma criança que faz perguntas sobre tudo o tempo todo? E quem nunca cresceu e continua com vontade de fazer perguntas mas só que agora tem vergonha? Pra essa pergunta posso responder: euzinha.

Esse livro, então, me fez pensar em duas coisas.

A primeira é algo que eu já falei aqui no blog nesse outro post sobre como parece que com o tempo vamos perdendo essa curiosidade inocente pelas coisas do mundo. Seja por falta de tempo, de paciência, de interesse…

A segunda coisa é que, por causa disso, acho que acabamos querendo as respostas rápido demais e talvez mastigadas demais porque, novamente, isso poupa tempo, paciência e interesse por algo que talvez não interesse tanto naquela hora. E aí, vira um ciclo. Não é fácil colocar na cabeça que o processo e as experiências do meio do caminho são mais importantes do que o resultado das coisas.

Mas Miguel é um menino que não tem medo de perguntar e que não tem medo de ir atrás das respostas e se aventurar nesses caminhos de insegurança. Quando ele ficou sabendo da existência da Máquina, descobriu que ela ficava na cidade grande. Só que pra chegar até lá, ele teria que atravessar toda a floresta, habitada por feiticeiras, monstros e animais ferozes.

Bom, atravessar a floresta não ia ser tão fácil assim.

O menino sentou-se numa pedra à beira do caminho para resolver desistir de tudo e voltar para casa sem saber, ou continuar e enfrentar os perigos para encontrar a tal máquina.”

E aí, vocês se arriscariam?

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Bom, pra quem ainda não sabe, esse post é resultado da parceria do blog com as Editoras Biruta e Gaivota, que são dedicadas à literatura infantil e juvenil, além de terem publicações sobre educação voltada pra professores. Quem me acompanha por aqui, já sabe que eu rodeio essas áreas há muito tempo e fico feliz de ser parceira de uma editora que trabalha exclusivamente com esse público.

Os livros são só amor e fiquei perdidinha pra escolher qual eu queria! Mas só pela sinopse, eu já senti que esse teria muito a ver com várias questões que já discuti por aqui. E estava certa.

O Menino que queria saber foi escrito por Marion Villas Boas, com ilustrações de Marta Strauch, e lançado em 2011 pela Biruta. No link do site tem como vocês verem o livro por dentro! Passem por lá!

Aquele texto sem título

Poucas pessoas devem saber, mas a piscina é um bom lugar pra chorar quando você não pode ficar sozinha e não quer que ninguém te veja fazendo isso.

Em primeiro lugar, você já está molhada, dentro da água. Impossível dizer a diferença entre uma lágrima escorrendo e as gotas da piscina espalhadas pelo corpo. Em segundo lugar, você está suada, vermelha e quente, então as manchas no seu rosto não vão ficar aparentes. E ainda tem a possibilidade de usar óculos escuros pra ajudar.

Além disso, todo mundo ao seu entorno está preocupado com as próprias coisas, bronzeado, suor, óculos escuros e diversão. Se você permanecer boiando de barriga pra cima, totalmente imóvel e em silêncio, aos pouco sua presença vai sendo deixada de lado.

Enquanto você chora sem ninguém perceber, pode aproveitar pra olhar as nuvens, o que pode te acalmar ou te fazer sentir menos mal. Sempre gostei de observar nuvens. Elas são totalmente mutáveis e ao mesmo tempo únicas em seus milésimos segundos de existência. Se transformam num piscar de olhos ou mais rápido do que isso. A menos que você tire uma foto, não é possível ver a mesma nuvem duas vezes. Um espetáculo que acontece todos os dias bem em cima da nossa cabeça e que muitas vezes passa despercebido. Como tantos outros na vida. Mas não acho que saberíamos lidar com muitos espetáculos para serem observados ao mesmo tempo. Já está de bom tamanho conseguir perceber pelo menos um.

Então, agora talvez mais calma, você pode mergulhar e lavar as gotinhas salgadas na água cheia de cloro, bem a tempo de ouvir alguém chamar seu nome. Passou, você sai da piscina tranquilamente. Nenhuma marca, nenhum barulho.

Sempre me pergunto se alguém percebe minhas lágrimas na piscina ou se elas se misturam e se integram facilmente ao resto da água. Espero que ninguém perceba. Esse é um espetáculo que ninguém precisa ver.

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Pois é, quem já me conhece sabe que de tempos em tempos crio a famigerada coragem e posto algum texto que escrevi por aqui. Hoje acordei com essa vontade e aí está.

Filmes da semana #16

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E não é que eu andei assistindo a alguns filmes? Não tanto quanto eu gostaria, mas… De qualquer forma o final de semana tá chegando e se você tá sem ideias e querendo umas dicas de filmes pra assistir, deixo aqui minhas recomendações!

Heathers (Michael Lehmann, 1988)

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Com o nome horroroso em português Atração Fatal, esse filme é tipo uma versão de Meninas Malvadas + As Patricinhas de Beverly Hills só que nos anos 80 e com mortes e crimes.

Veronica, que costumava ser uma garota “comum” na escola, acabou se envolvendo com um grupo de patricinhas comandado por uma menina chamada Heather. Vocês sabem, aquele estereótipo norte-americano das patricinhas. Percebendo que as meninas eram esnobes, que maltratavam os outros e que isso não iria lhe trazer nenhum bem, Veronica se juntou com um cara esquisitão da escola pra se vingar de todas as cool kids.

Primeiro: não fazia ideia da existência desse filme. Só assisti porque vi que a Winona Ryder tá no elenco e eu andei muito numa fase de Winona Ryder. Acabou que foi uma surpresa boa. Segundo: estamos muito acostumados com esses filmes high school, mas esse é mais pesado que o normal e eu certamente não recomendaria pra uma criança/adolescente porque, né, não queremos mortes nas escolas. Enfim, se você é fã de filmes dos anos 80 ou da Winona, vai na fé que vai ser bom.

*

O Espelho (Andrei Tarkovsky, 1975)

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O Espelho (Zerkalo, no original) não é o filme mais fácil de descrever. Tudo que eu poderia contar pra vocês foi o que descobri enquanto assistia ou então que pensei só depois que ele terminou.

Ele foi escrito e dirigido pelo Tarkovsky e você provavelmente vai ler em todos os lugares que o filme é autobiográfico. Não conheço bem a vida dele pra confirmar isso e, convenhamos, essa coisa de realidade e ficção se confunde muito fácil.

Eu diria que o filme é um pouco como o retrato da vida e das memórias de um homem e também um retrato da vida na Rússia nos tempos da guerra. Não é um filme de ação, já aviso. É aquele filme pra assistir com disposição e atenção. Eu sugiro que vocês assistam ao trailer. Vocês vão entender melhor a vibe e vai ser melhor do que qualquer coisa que eu possa escrever aqui. Mas, ó, Tarkovsky é bom e bonito demais, isso não dá pra negar.

*

Ruby Sparks (Jonathan Dayton, Valerie Faris, 2012)

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Calvin é um escritor que tá lutando pra escrever seu novo romance. Tentando sair desse bloqueio, ele acaba criando uma personagem, Ruby Sparks, que se transforma em sua amiga e sua namorada e eles vivem vários bons momentos juntos. Até que um dia ele percebe que não estava vivendo aquilo tudo na sua cabeça, ou no seu livro, mas que Ruby era real.

Vamos combinar que esse tema do escritor que não consegue escrever é bem clichê e tá presente em muitos filmes. Eu nem tava muito animada com Ruby Sparks, mas pensei que seria um bom filme levinho pra assistir naqueles dias de preguiça. E foi mesmo.

Acaba que o desenvolvimento do filme com esse aspecto meio mágico e surreal do surgimento da Ruby deixa tudo mais interessante e menos clichê. E sem dúvidas o filme transcende um pouco o que ele é e nos faz pensar sobre um certo tipo de relacionamento que é controlador, que é opressor, que não sabe lidar com a diferença e individualidade de cada um. É meio tentador pensar em criar alguém que vai ser e fazer exatamente o que você quer, mas se essa é uma boa ideia, é outra história.

Coisas aleatórias numa noite de segunda-feira

Não morri, estou bem viva e vou contar pra vocês.

1. A primeira coisa importante que tenho pra contar é sobre esse blog que agora é parceiro de duas editoras muito lindas, a Gaivota e a Biruta (vocês viram os selinhos ali do lado?). Eu realmente não estava esperando que isso pudesse acontecer e estou bem feliz! As duas publicam livros infantis e infantojuvenis, então aguardem que em breve terão resenhas e vídeos de Três razões pra ler de livros lindezas. Eu amo livros, gente, estou ansiosa já, o que mais posso dizer?

2. A segunda coisa importante é que eu sumi um pouco porque estava participando de oooutro filme. E dessa vez não estava na direção ou em nenhuma função técnica, massss resolvi me aventurar e ser atriz. Vejam vocês que reviravolta!

Eu já tinha atuado antes, só que foram coisas bem simples e secundárias. Mas pra este filme me convidaram pra ser a protagonista. Primeiramente, eu gostei muito. Foi bem divertido e o que e achava que era fácil de fazer, percebi que era difícil e vice-versa. Aprendi sobre direção mais do que nunca e acho que não vou ser mais a mesma quando tiver que dirigir um outro filme. Segundamente, posso ter estragado tudo hahaha Espero que não, amigos, vamos aguardar!

O filme não tem nome ainda, mas tem algumas fotos liberadas pela produção haha!

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Meu tio | Livros & Cinema

Vou começar contando como conheci Meu tio. Foi um daqueles casos de alguém que te indica um filme – no caso minha irmã – e aí um ano depois você decide assistir. Mas antes disso, numa daquelas mega promoções da Cosac Naify, dei de cara com o livro Meu tio e pensei: olha, que legal, aquele filme que não vi foi baseado num livro. Tá barato e parece bom. Comprei.

Aí depois que descobri que o livro foi baseado no filme. Acho que é a primeira vez que leio primeiro um livro que veio depois do filme. Acho que ficou confuso, ficou? Enfim, vamos lá porque quero falar várias coisas.

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Meu tio conta a história de Gérard Arpel, um menino de 8 anos, e suas aventuras com seu tio, o Sr. Hullot. A família Arpel era muito chique e vivia em uma casa ultra moderna projetada pelo próprio Sr. Arpel, que era dono da Usina Plastac, uma fábrica de tubos de plástico. A casa quase que fazia tudo sozinha, pra cada coisa existia um botão, portas que se abriam sozinhas, braços mecânicos pra pegar e guardar coisas, e uma fonte no formato de peixe que era o orgulho do casal. A Sra. Arpel tinha um amor incondicional pela casa e dedicava 100% do seu tempo a ela.

Apesar de todo o conforto, Gérard achava tudo meio chato, não podia brincar, não podia se sujar e tinha que seguir várias regras dentro de casa. E então acabou encontrando liberdade e diversão com seu tio, irmão de sua mãe. Sr. Hullot morava em um bairro diferente, perto de uma praça onde sempre acontecia a feira. O lugar era agitado, as pessoas conversavam na rua, os meninos brincavam e tudo parecia mais alegre e cheio de vida. Gérard era encantado por isso tudo e pelo jeito leve e despreocupado que seu tio levava a vida. Despreocupado até demais!

Meu tio Hullot me parecia, quando eu era criança, um personagem ao mesmo tempo próximo e distante, indiferente e caloroso. É difícil explicar, eu sei. (…) ele era bem alto e bem magro. Andava aos tropeços, meio curvado para a frente, e saía distribuindo cumprimentos sem motivo.

(…) Ele era perseguido por uma fatalidade que o mergulhava em todo tipo de problema. Não perdia a oportunidade de dar uma gafe, de fazer uma trapalhada, mas, pelo jeito como aceitava os golpes do acaso, impassível, impenetrável, sem nem franzir as sobrancelhas, sem reclamar, eu me perguntava de vez em quando se ele não provocava o incidente de propósito.”

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Seguindo a ordem dos acontecimentos na minha vida, vou começar falando do livro. Ele foi escrito pelo Jean-Claude Carrière, um escritor e cineasta bem importante e que ainda está vivo, vale lembrar. Tem gente que acha sem graça, mas eu adoro um livro com ilustrações. Essas foram feitas pelo Pierre Étaix e só depois descobri que eram baseadas nas cenas do filme.

O que me fez gostar do livro – mais do que o filme – foi o fato de que ele é escrito em forma de uma lembrança. Gérard, já adulto, relembra as aventuras que viveu com seu tio, então ali tem um tom nostálgico e até um pouco triste que me agradou e pareceu bem perto da nossa realidade. É engraçado porque às vezes tenho a impressão de que a gente romantiza bastante nossas memórias e que provavelmente as coisas não foram assim como a gente imagina. Mas não importa. O que importa é o sentimento que ficou. Gérard tinha uma admiração enorme pelo seu tio e os lugares por onde passou com ele ficaram marcados de boas lembranças que só trazem um sentimento bom.

Acho que isso acontece com todos nós, não é mesmo?

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No livro, o narrador é o menino Gérard, mas no filme a perspectiva é um pouco diferente. O filme, lançado em 58, foi dirigido e protagonizado pelo próprio Jacques Tati e tem todo um quê de comédia e teatro que acho que nunca vi em outro filme. Os cenários são muito teatrais e as atuações também e acho que parte da graça está aí.

A abordagem é diferente porque não há narrador, o que vemos é a história da família Arpel e as confusões do Sr. Hullot. Então ele perde um pouco o tom mais emotivo que tem no livro, mas continua bom, pode confiar!

Acho que o filme também enfatiza mais e faz uma certa crítica às tecnologias, aos gadgets e à toda a modernização da vida das pessoas. A relação do casal Arpel com a casa é um exagero e às superficialidades das relações que eles tem com outras pessoas é muito contrastante com o que o Sr. Hullot vive no seu bairro. As poucas tentativas que a família Arpel faz de integrar o tio ao mundo deles – por exemplo, colocá-lo para trabalhar na fábrica ou tentar juntá-lo com uma vizinha – são desastrosas. Não dá, a praia do tio Hullot é outra, mas ver tudo isso acontecer no filme é bem engraçado.

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Meu objetivo não é fazer uma comparação pra ficar julgando aqui, longe de mim! Tanto o filme quanto o livro são ótimos, mas, pessoalmente, eu gostei mais do livro porque mexeu também com minhas próprias lembranças. E ambos são bem universais, fazem sentido pro público mais jovem e também pros mais velhos, então todo mundo sai ganhando!

Jacques Tati e seu personagem Sr. Hullot são bem conhecidos, mas foi a primeira vez que eu assisti/li algo deles. Se vocês não conhecem também, fica a recomendação! Vou deixar um trailer pra vocês visualizarem o clima da história!